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Crônica

De volta à pergunta de Sérgio Blank, com novas interrogações

Naquela época, éramos pessoas com caminhos à vista, mas pouquíssimas respostas prontas para a provocação afetuosa do amigo. Desconfio que ainda somos

Publicado em 28 de Julho de 2024 às 02:00

Públicado em 

28 jul 2024 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Sérgio Blank no lançamento do livro lança Blue Sutil,  em fevereiro de 2019
Sérgio Blank no lançamento do livro lança "Blue Sutil", em fevereiro de 2019 Crédito: Fernando Madeira / Arquivo AG
O que determina se alguém é ou não escritor? Quem, ou quanto, define se estão ou não permitidos os títulos de artista, cronista, romancista, poeta, contador de histórias? A partir de quais critérios certos homens e mulheres passam a fazer parte do rol de integrantes de um conjunto de autores?
Quem escreve, mas não publica, pode ser considerado escritor? E quem publica, mas não imprime? Quem escreve porque não sabe viver de outro modo, mas não vive da própria escrita, pode? Quantos volumes são necessários para se tornar um escritor?
O que vale mais em tempos líquidos: qualidade ou quantidade, intensidade ou compartilhamentos, uma bela sequência de frases ou engajamento na rede social? É preciso prescindir do lugar em que estão os potenciais leitores em nome da pureza e do amor pelo livro em seu formato original?
Quando o saudoso Sérgio Blank convidou a mim e mais dez colegas para escrevermos o livro “Por Que Você Escreve”, a pergunta que nos guiava era outra. Que razões, que motivos, quantas dores, que tipo de combustível nos faziam reunir palavras a respeito de afetos e fatos, frequências e ausências, construções e seu oposto, afinal?
Uma forma de estar no mundo. Gosto, necessidade, precisão, um jeito de dizer o que nem sabia que sabia. Um ato inseparável da leitura, escritor porque leitor. Um ponto de chegada e um ponto de partida, ao mesmo tempo. Um gesto de amor pelas histórias inventadas. Uma grande diversão. Um aceno de reverência e rebeldia. Um bote salva-vidas em meio a um mar de casuísmos, exibicionismos e individualismos.
As motivações, tão diversas quanto legítimas, talvez indiquem possibilidades para as interrogações do texto de agora, que volta à pergunta, uns anos depois. Escritores talvez sejam os que escrevem para estar no mundo, para transbordar leituras, por gosto ou precisão, amor, diversão, reverência ou rebeldia, para chegar e partir ao mesmo tempo, para estar a salvo do mundo e de si mesmos, como nós éramos.
Éramos pessoas com caminhos à vista, mas pouquíssimas respostas prontas para a provocação afetuosa do amigo que se foi cedo demais. Desconfio que ainda somos.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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