2021 foi o ano que sucumbimos ao cansaço, ao burnout, ao desengano de achar que, na virada, estaríamos livres da pandemia. Mas 2021 foi também um tempo de retomadas e esperanças, reencontros e reconstruções. Um ano de celebrar vacina, de ostentar Ciência, de fortalecer os que nos permitem caminhar por estradas iluminadas e seguras.
Agora, nestes primeiros dias de janeiro, os ventos são, mais uma vez, de fé na mudança e de disposição para recolocar as coisas na perspectiva da generosidade com o mundo, com os outros e com a gente mesmo.
Esta é uma das histórias que eu gostaria de contar em 2022. Porque sem generosidade as durezas se tornam ainda mais difíceis de administrar. Com um olhar afetuoso sobre as coisas e sobre a gente mesmo, ao contrário, tornamo-nos mais suaves e certeiros.
Se, para mim, para muitos de vocês, para alguns dos meus queridos, para a nau desgovernada em que o Brasil se transformou e até para os otimistas, o clima pesou na dobradinha 2020-2021, 2022 nos chega com esperança em dias melhores.
Somos 67,2% de vacinados no Brasil no momento em que escrevo este texto, quase 7 em cada 10 brasileiros. Aos poucos, ganhamos coragem de voltar às ruas, e a cada encontro é um pedacinho da alegria que volta. Aos poucos nos ajeitamos, e a cada acerto é um pedacinho da paz que volta.
Esta é outra das histórias que eu gostaria de contar em 2022. Porque retomar significa movimento, e movimento significa transformação. Sem eles, ao contrário, nos tornamos frágeis e pesados.
Os desafios ainda são enormes, eu sei: comida para quem tem fome, a exaustão e o medo, a recuperação da economia, o cenário político, a dor da Bahia, a saudade dos que se foram, as crianças ainda em risco, a gente mesmo tentando se proteger enquanto retoma a vida.
Mas são enormes também as possibilidades, que sempre acompanham um novo ano, de ouvir e contar novas histórias. Que, em 2022, elas nos façam mais fortes e mais felizes.