Depois de algumas experiências, cheguei à conclusão de que é muito bom fazer lançamentos de livro. Semana que vem vai ser a vez de fazer festa no Rio de Janeiro e, de quebra, dar uma palestra pra falar sobre como faço colheres.
Faz tempo que descobri que lançamento de livro não é acontecimento comercial e sim uma oportunidade para reencontros do autor com os amigos que não vê faz tempo e, importantíssimo, dos convidados entre si.
Indispensável que o lugar escolhido seja dotado de ambiente agradável e de espaço confortável para muitos. Ninguém gosta de desconforto, sobretudo ao enfrentar a fila de autógrafos, cada vez mais lenta em função da coqueluche dos selfies.
Um ex-aluno dos idos de 1972, que mantém a turma coesa em torno dos prazeres da amizade com convívio sistemático, sugeriu que optássemos por um dos restaurantes que funcionam no terreno do Jóquei.
Resolvido o lugar, a tarefa de localizar parentes, amigos e antigos colegas é absolutamente fundamental. Em se tratando de cidade distante, é uma tarefa penosa. A cadernetinha de telefones perdeu sentido e utilidade, o número dos celulares são desconhecidos, os endereços não são mais os mesmos, sem contar que muitos já não usam e-mail com frequência.
Mas posso garantir que a alegria se instala quando acontece de se localizar alguém que não se vê desde os tempos de grupo escolar, das pescarias de praia, das festas de debutantes, dos bancos da universidade, dos bailes, das paqueras livres de compromisso. A promessa do abraço apertado, a possibilidade de poder ver como o outro envelheceu, de saber quantos filhos e netos tem, o que anda fazendo com o tempo livre e tudo o mais. O lançamento é momento de lembrar dos tais bons tempos.
O fato de três dos nossos filhos morarem em São Paulo nos afastou do Rio, onde eu ia passear nos anos 1960 e lá morei ao fazer o mestrado na UFRJ, como era usual nos idos de 1970. Nessa época, os rapazes de Cachoeiro iam fazer faculdade e por lá ficavam, sempre vindo passar as férias de verão em Marataízes, viagem própria para reencontros de amores antigos e de companheiros de pescarias e de redes de vôlei. Sei de alguns desses esperando o dia da festa me ver. Isso faz um bem danado pra saúde.
Pra Carol, que nasceu e se criou naquela cidade maravilhosa e dela saiu casada pra ir morar em Brasília, está sendo muito emocionante ir, aos poucos, localizando e convidando gente querida que deixou pra trás.
Para aproveitar a viagem, aceitei convite de uma escola de design para dar palestra sobre como é fazer uma colher após a outra, sempre diferentes, por mais de 27 anos. Imagino que na plateia estarão pessoas que gostam do trabalho manual e que sabem de mim pelas redes. Estou preparando o roteiro e escolhendo as fotos para criar um ambiente que favoreça o interesse e a sensibilização.
As inscrições antecipadas comprovam que colher de bambu atiça a vontade de tocá-las e a vontade de aprender a fazê-las. Eu não acredito que garfos e facas tenham poderes parecidos.