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Crônica

Recomeçando a girar: relatos do reinício da vida

Como era de se esperar, estamos revivendo tempos de casa cheia. Pela primeira vez em quase dois anos coloquei roupa de festa

Publicado em 29 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 out 2021 às 02:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Como era de se esperar, estamos revivendo tempos de casa cheia, agora com choro de bebê com fome e pirraça de um primo que aprendeu rapidamente a subir na escadinha pra tirar pitanga no quintal. Três filhas, um genro e dois netos são suficientes para encher o ambiente de sons e emoções tão conhecidas, nos fazendo acreditar que estamos todos salvos, depois de longo período de casa vazia em função da pandemia. A motivação principal foi comemorar meu aniversário, algo que vai ganhando importância na medida em que se vai ficando velho.
Pela primeira vez em quase dois anos coloquei roupa de festa e fui ao lançamento do livro “Praia do Canto: a Vida das Ruas“, em Santa Lúcia, com mais de 50 crônicas escritas por moradores do bairro, distribuídas por 556 páginas de edição primorosa. Revi amigos das peladas de rua e das regatas de snipe nos mares de dentro, e moças com quem, em passado distante, dancei nas festas do Praia Tênis Club, ao som das “eletrolas mágicas” de Jairo Maia.
Encontrei muita gente que frequentava a praia do Barracão só até a hora do almoço. O livro é grosso de crônicas sobre as ruas do bairro, quando praticamente só existiam casas e se sabia o nome e o apelido dos vizinhos. Dá gosto de ler e de constatar que as memórias dos autores registradas em papel vão perpetuar o que se via e vivia naquele lugar de amplas ruas.
Para completar o reinício da vida em tempos de quase fim de pandemia, no meio da tarde de domingo, lá fui eu com Carol celebrar o casamento de Arlindo Villaschi e Eliane Kuster, em cerimonial diante do prometido teatro do Cais das Artes. O que começou com palavras do noivo sobre a conquista e declarações emocionadas de amor da noiva, evoluiu para longa conversa com o casal amigo que não víamos há meses e terminou na pista de dança. A sola de borracha do sapato dificultou bastante a realização de manobras mais radicais e fez cansar as pernas.
Na segunda-feira, saí direto da cadeira do dentista para o cais do Iate Clube para visitar o veleiro Kat, da Família Schurmann, que estava ancorado diante da praia do Sacré Coeur. A sensação ao subir naquele casco de 80 pés com dois mastros altíssimos era a de estar entrando em um lugar muito especial, onde 7 pessoas passarão os próximos 2 anos dando uma volta ao mundo. A expedição tem como propósito chamar a atenção para a poluição dos oceanos.
Nas conversas com o capitão Vilfredo, tem-se a impressão de estar diante de uma pessoa convicta de que aventuras emocionantes e projetos ousados fazem da vida em família uma maravilhosa experiência. A essas horas, aquele colosso de embarcação já está singrando os mares no rumo do Arquipélago de Abrolhos.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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