Como era de se esperar, estamos revivendo tempos de casa cheia, agora com choro de bebê com fome e pirraça de um primo que aprendeu rapidamente a subir na escadinha pra tirar pitanga no quintal. Três filhas, um genro e dois netos são suficientes para encher o ambiente de sons e emoções tão conhecidas, nos fazendo acreditar que estamos todos salvos, depois de longo período de casa vazia em função da pandemia. A motivação principal foi comemorar meu aniversário, algo que vai ganhando importância na medida em que se vai ficando velho.
Pela primeira vez em quase dois anos coloquei roupa de festa e fui ao lançamento do livro “Praia do Canto: a Vida das Ruas“, em Santa Lúcia, com mais de 50 crônicas escritas por moradores do bairro, distribuídas por 556 páginas de edição primorosa. Revi amigos das peladas de rua e das regatas de snipe nos mares de dentro, e moças com quem, em passado distante, dancei nas festas do Praia Tênis Club, ao som das “eletrolas mágicas” de Jairo Maia.
Encontrei muita gente que frequentava a praia do Barracão só até a hora do almoço. O livro é grosso de crônicas sobre as ruas do bairro, quando praticamente só existiam casas e se sabia o nome e o apelido dos vizinhos. Dá gosto de ler e de constatar que as memórias dos autores registradas em papel vão perpetuar o que se via e vivia naquele lugar de amplas ruas.
Para completar o reinício da vida em tempos de quase fim de pandemia, no meio da tarde de domingo, lá fui eu com Carol celebrar o casamento de Arlindo Villaschi e Eliane Kuster, em cerimonial diante do prometido teatro do Cais das Artes. O que começou com palavras do noivo sobre a conquista e declarações emocionadas de amor da noiva, evoluiu para longa conversa com o casal amigo que não víamos há meses e terminou na pista de dança. A sola de borracha do sapato dificultou bastante a realização de manobras mais radicais e fez cansar as pernas.
Na segunda-feira, saí direto da cadeira do dentista para o cais do Iate Clube para visitar o veleiro Kat, da Família Schurmann, que estava ancorado diante da praia do Sacré Coeur. A sensação ao subir naquele casco de 80 pés com dois mastros altíssimos era a de estar entrando em um lugar muito especial, onde 7 pessoas passarão os próximos 2 anos dando uma volta ao mundo. A expedição tem como propósito chamar a atenção para a poluição dos oceanos.
Nas conversas com o capitão Vilfredo, tem-se a impressão de estar diante de uma pessoa convicta de que aventuras emocionantes e projetos ousados fazem da vida em família uma maravilhosa experiência. A essas horas, aquele colosso de embarcação já está singrando os mares no rumo do Arquipélago de Abrolhos.