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Crônica

Minhas aventuras na Praia da Esquerda, da Ilha do Boi

Nesta quarta-feira, cheguei lá cedinho, praticamente junto com o sol, que já nasceu disposto a torrar tudo que estivesse por aqui. A praia estava deserta, com a maré bem baixa e ondas gordas e pesadas, do tipo caixote

Publicado em 08 de Março de 2024 às 01:45

Públicado em 

08 mar 2024 às 01:45
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Vejo muita gente caminhando nas calçadas da orla da cidade, sobretudo pela manhã, sempre de tênis e roupa de academia. Eu prefiro caminhar nas areias na Praia da Esquerda, da Ilha do Boi, em busca de saúde e de alguma distração. Isso, quando estou livre de chuvas matinais, dores musculares eventuais e preguiças sistemáticas. Sempre tem novidades.
Com os anos, aprendi que andar é muito bom para ficar matutando sobre o que está acontecendo com a gente e, sobretudo, o que estamos pretendendo fazer.
Nesta quarta-feira, cheguei lá cedinho, praticamente junto com o sol, que já nasceu disposto a torrar tudo que estivesse por aqui. A praia estava deserta, com a maré bem baixa e ondas gordas e pesadas, do tipo caixote. A faixa seca de areia grossa era bem larga e plana. A molhada era rampada.
Sem qualquer sinal de vento, o mar estava completamente liso, como bunda de anjo, como se dizia. Espelhado, ele favorece a brincadeira de localizar cardumes, o que prezo muito. A movimentação dos peixes perto da superfície faz o mar tremer, encapelar-se. Foi fácil localizar um de bom tamanho, a menos de 20 metros da beira.
Em praias abertas, é comum ver pescadores observando o mar a partir de um ponto mais alto, para orientar o pessoal que lança as redes de arrasto, visando melhorar os resultados dos lançamentos.
Desde que me entendo, durante os meses de março, grande quantidade de carapaus, peixe pequeno da família dos chicharros, frequenta as águas em torno da Ilha do Frade e das Galheta. Para a felicidade dos pescadores de berés.
Sem usar redes, munidos de varas fininhas e de camarão como isca, marmanjos de todos os tipos praticam, de cima de pedras ou embarcados, uma espécie de pescaria de competição.
Pelo que vejo, pouca gente sabe que a pesca desses peixinhos, valentes que só, pode reforçar amizades antigas e proporcionar lembranças duradouras.
Andando sem pressa e cortando bambu com uma faquinha, localizei uns vinte guruças, caranguejos brancos que habitam a areia da praia. Ariscos, eles ficam ao lado do buraco, atentos à movimentação em volta e tratam de emburacar diante de qualquer ameaça. Eram todos ainda bem pequenos.
Mesmo procurando bastante, não encontrei sinais de corruptos, bichinhos bem estranhos que vivem em buracos feitos na parte da areia só vista na maré vazia. São iscas de primeira, para peixes graúdos.
Já pensando em voltar pra casa, vi de longe um casal chegando. O homem chutava uma bola e a mulher falava ao celular. Ela se sentou em posição de lótus e ele, caminhando na minha direção, puxou assunto. Simpático, aceitou meu convite de ir até a ponta leste da praia, para ver o espetáculo que eu acabara de presenciar: arraias nadando em volta de uma pedra enorme, quase submersa, a menos de 5 metros da gente.
Data: 12/06/2020 - ES - Vitória - Praia da Ilha do Boi, em Vitória - Editoria: Cidades - Foto: Fernando Madeira - GZ
Ilha do Boi Crédito: Fernando Madeira
Contei pra ele que na semana passada, andando com Gael, meu neto, tinha avistado duas delas saltando e batendo de barriga na água. Com cara de entendido, disse que elas deviam estar comendo os sururus pequenos, que este ano se apresentam abertos sobre a laje de pedra, coisa que eu nunca tinha visto na vida.
Na verdade, sou um homem experiente em sururu, desses que acompanha o crescimento das conchas e, no verão, arranca os mais graúdos, em lugares estratégicos, pra comer em casa.
Tem quem saiba que foi caminhando na Praia da Esquerda que consegui juntar e organizar ideias e lembranças para escrever dois livros. Pois agora, pretendo me preparar para uma roda de conversa sobre o mais recente deles, com histórias relacionadas às minhas colheres de bambu. Vai ser lá na Biblioteca Estadual, na Praia do Suá.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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