Tomei um voo para o Rio de Janeiro para celebrar os 50 anos de formatura da primeira turma de Engenharia de Produção da UFRJ, para qual dei aulas em 1972. Ao lado de outros dois colegas do mestrado e de Itiro Iida, um professor trazido de São Paulo, ficamos responsáveis por 4 disciplinas, tendo que preparar apostilas e materiais didáticos.
Uma trabalheira danada, um aprendizado forçado e gratificante, que tenho na conta de ter sido uma das coisas mais interessantes que fiz na vida. Celebrar junto com aqueles alunos, agora senhores de cabeça branca, era mais do que um direito.
Antes de embarcar, tomando um café com pão de queijo, notei que quatro homens vestindo camisa do Fluminense conversavam animadamente na mesa ao lado. Bateu uma inveja boa, de ver amigos fazendo programa juntos, como acontecia nos tempos de pescarias. Dali, vi torcedores na fila de embarque que ocupariam, talvez, uma metade das poltronas do avião.
Já embarcados, tricolor que sou, puxei assunto com o que estava ao meu lado e fiquei sabendo que haveria jogo importante no Maracanã. Mais: que existe uma loja do nosso time, num shopping, que vendeu mais de 740 ingressos e reservou hotéis. Tudo com desconto para associados.
A conversa seguiu animada a viagem inteira. Contei que nos idos dos anos 60/70, existia em Vitória uma movimentação similar de torcedores, conhecidos por “Malandros de Decisão”, que tomavam seus assentos num ônibus da Itapemirim por volta das 23 horas, com destino à Rodoviária Novo Rio.
Com cara de passageiros mal dormidos, pegavam um táxi até a Avenida Copacabana, onde compravam as entradas pro jogo numa lojinha no Mercadinho Azul, perto da Rua Santa Clara.
De lá, saiam caminhando até algum bar nas calçadas de Ipanema, pra ver os brotos passando a caminho das areias da praia. Tendo tomado umas tantas cervejas, almoçavam por ali e iam pro estádio com antecedência, para garantir bons lugares na torcida.
Terminado o jogo, voltavam de táxi para Zona Sul, agora para as rodadas de cerveja de comemoração ou de desgosto. Comiam alguma coisa consistente e tomavam mais um táxi, agora para a rodoviária, para começar a viagem de umas 9 horas de volta para Vitória. Isso se o trecho de Morro do Coco, perto da divisa, o único ainda sem asfalto, estivesse dando passagem. Dizia-se que o atoleiro que existia ali era argumento estratégico para a empresa de Cachoeiro manter a exclusividade na exploração do trecho Rio-Vitória.
Como o mundo é mesmo pequeno, conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo que o companheiro de viagem era sobrinho do meu querido Professor Ferrari, na Escola Politécnica, um dos que me estimularam a fazer o mestrado na COPPE/UFRJ, exatamente o meu destino naquela manhã.
Em terra, entusiasmado, tirou uma foto nossa e despachou para o tio, acompanhada de um áudio vibrante ao celular. Na volta, vim trazendo emoções do reencontro com meu ex-alunos sorridentes e satisfação de saber da vitória do meu time.