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Crônica

Bem que merecemos festas e reencontros neste fim de ano

Desta vez, foi ainda mais emocionante: foram 7 horas de festa, em ritmo de uma grande comemoração do reencontro da turma completa

Publicado em 24 de Dezembro de 2021 às 15:17

Públicado em 

24 dez 2021 às 15:17
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Festa de confraternização da empresa: devo ou não ir?
Convívio intenso pelo Whatsapp sustenta as relações pessoais, mas nem de longe substitui o afago dos encontros Crédito: Pexels
No sábado passado fui à quarta festa desta pandemia. Antes disso, só um casamento, um lançamento de livro e um aniversário, eventos alegres sempre em ambientes espaçosos e abertos. Desta vez, foi em casa de amigos queridos, também um lugar amplo e arejado. Apertados só os abraços das pessoas com astral nas alturas, todas elas conhecidas há décadas e saudosas há meses. Mais uma reunião oficial de uma confraria de mulheres maduras, produtivas, animadíssimas e poderosas.
Pelo que imagino, a prática corriqueira de se encontrarem para se divertir conversando, bebendo, comendo e dançando, começou a acontecer na varanda, com vista para o mar da Praia da Costa, da casa de uma família de muitos filhos, pais festeiros e amistosos com seus respectivos amigos. Mais adiante a coisa foi ganhando força e se ampliando para além dos muros baixos da casa da família, incorporando paqueras, noras, genros e contra-parentes.
Conheço bem essa condição de pai de 5 filhos, morador de uma casa no caminho de praia frequentada por muita gente. Depois de décadas, ainda acontece de encontrarmos quem diga ter entrado para tomar uma chuveirada no jardim, beber água geladinha e trocar de roupa a caminho do mar.
Como o riso sempre correu frouxo e o papo animado, as garotas da casa foram trazendo colegas de escola e amigas do peito. Foi numa dessas que Carol entrou na roda e achou muito bom e pouco. Numa festa de aniversário, ela achou por bem me levar pela mão, prometendo que outros maridos estariam lá também. Foi assim que conheci uma turma inteira de pessoas que gostam de se reunir com frequência, pelo simples prazer do encontro e de conversas entusiasmadas.
Só vejo gente se abraçando forte, beijando bochechas alheias, alisando cabeças, elogiando as roupas e os cabelos já mais brancos, perguntando pelos filhos e netos, querendo saber se deu certo, o que está pensando em fazer agora. Isso, quando não estão requebrando um samba, gesticulando um rock antigo e rodopiando um foxtrote arretado. As garotas adoram dançar enquanto os garotos bebem cerveja e piscam os olhos de longe, em sinal de aprovação.
Pois, desta vez, foi ainda mais emocionante do que das vezes anteriores: foram 7 horas de festa, em ritmo de uma grande comemoração do reencontro da turma completa, depois de tanto tempo querendo estar junto sem poder. Como está provado, o convívio intenso pelo Whatsapp sustenta as relações pessoais, mas nem de longe substitui o afago das mãos, a emoção dos abraços nem o estalo dos beijinhos.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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