Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Trabalho

O Brasil não precisa de mais sindicatos — precisa de sindicatos melhores

É ilusório imaginar que sindicatos irrelevantes continuarão sendo tolerados em um ambiente empresarial que exige transparência, governança e previsibilidade

Publicado em 17 de Junho de 2025 às 05:01

Públicado em 

17 jun 2025 às 05:01
Alberto Nemer Neto

Colunista

Alberto Nemer Neto

Há algo estruturalmente errado quando a contribuição assistencial pesa mais do que a assistência efetiva. O Brasil precisa, com urgência, revisitar o papel dos sindicatos sob uma ótica moderna, transparente e, acima de tudo, voluntária.
A recente aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que permite ao trabalhador cancelar, de forma digital, as contribuições sindicais é só a ponta visível de um problema crônico: a cobrança automática, indiscriminada e muitas vezes silenciosa de valores que não refletem nenhuma entrega real.
O projeto agora segue ao Senado, onde será testada a maturidade institucional do país sobre o tema. O que está em jogo não é apenas uma norma, mas a reafirmação do princípio da liberdade individual frente a estruturas coletivas envelhecidas.
Sindicatos que não conquistam confiança buscam custeio forçado. E essa inversão revela o esgotamento de um modelo que insiste em sobreviver pela via arrecadatória. A representação coletiva não pode ser uma ficção legitimada por atas escondidas em assembleias esvaziadas. Um sindicato forte é aquele que é escolhido — não aquele que se impõe no contracheque. A liberdade de associação trabalhista não pode ser relativizada por uma “autorização tácita” decidida por meia dúzia de dirigentes.
É hora de reconhecer: não há representatividade onde há compulsoriedade. E não há proteção quando a rescisão contratual vira apenas uma troca de papéis, sem qualquer blindagem jurídica real.
Nesse ponto, o debate em torno da volta da homologação sindical com efeito de quitação plena e irretratável — nos moldes defendidos por ministros do STF e articulado no Congresso — merece atenção. Se a rescisão for validada com segurança técnica e respaldo institucional, poderemos romper com um dos maiores absurdos da prática trabalhista: o passivo retroativo mesmo após a quitação formal. Ou seja, a paz jurídica após o encerramento do contrato precisa deixar de ser promessa e virar realidade.
A combinação desses dois movimentos — fim da cobrança obrigatória sem autorização expressa e homologação sindical com força liberatória — pode representar um novo capítulo no sindicalismo brasileiro. Um capítulo em que só sobrevive quem entrega resultado e quem protege de fato, não quem se alimenta da burocracia.
Trabalhadores da saúde enfrentam fila para evitar desconto de taxa sindical
Trabalhadores da saúde enfrentam fila para evitar desconto de taxa sindical Crédito: Vitor Jubini
É ilusório imaginar que sindicatos irrelevantes continuarão sendo tolerados em um ambiente empresarial que exige transparência, governança e previsibilidade. A modernização não é uma escolha de conveniência: é uma imposição do tempo. E tempo, no mundo dos negócios, custa caro.
O Brasil não precisa de mais sindicatos — precisa de sindicatos melhores. E isso só será possível quando a fonte de poder dessas instituições deixar de ser a compulsoriedade e passar a ser a confiança de sua base.
Sindicato que representa deve ser sustentado. Sindicato que impõe deve ser questionado.
Rescisão que quita deve encerrar o ciclo, não abrir contencioso.
E compliance trabalhista começa onde termina a omissão.

Alberto Nemer Neto

Advogado trabalhista, coordenador do curso de especializacao em Direito do Trabalho da FDV e torcedor fervoroso do Botafogo. Neste espaco, oferece uma visao critica e abrangente para desmistificar os conceitos trabalhistas e promover um entendimento mais profundo das dinamicas legais que regem as relacoes de trabalho

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Itamaraty confirma morte de brasileiros em ataque de Israel no Líbano; o que se sabe
FGTS - aplicativo, saque, dinheiro
Novo Desenrola permitirá uso do FGTS para renegociação de dívidas
Feira ES Tour
Pontos turísticos do ES em versão 'pocket' chamam a atenção em feira

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados