Desde cedo, aprendi que o significado real de força, resiliência e empreendedorismo também veio das mulheres que tive a sorte de ter como referência em minha vida. Mulheres que nunca permitiram que desafios, dificuldades ou preconceitos limitassem seus horizontes ou reduzissem suas conquistas.
Minha primeira grande referência foi minha avó Yedda, uma mulher visionária, aguerrida e à frente de seu tempo. Numa época em que poucas mulheres se arriscavam a sair dos limites tradicionais, ela já trabalhava entregando leite nos laticínios e não hesitava em desafiar convenções sociais, sendo uma das primeiras mulheres a usar calça jeans na cidade de Colatina, interior do Espírito Santo.
Com oito filhos para criar, Yedda não apenas empreendia, mas ensinava com o exemplo que coragem e determinação não têm gênero. Seu espírito empreendedor era incansável, e me lembro bem de como ela equilibrava as demandas de casa e trabalho com maestria.
Lembro-me com carinho especial da época em que ela era dona da cantina da escola em que eu estudava. Confesso que ficava um pouco tímido, mas também tomado por uma profunda admiração e orgulho ao vê-la, já idosa, cheia de energia, negociando as compras da cantina e conduzindo tudo com uma força impressionante. Ela era para mim o exemplo perfeito de alguém que ama a independência e faz do trabalho um verdadeiro ato de amor e coragem.
Outro exemplo fundamental vem da minha mãe. Com apenas 17 anos, já coordenava um tradicional colégio e tinha alunos mais velhos que ela mesma. A coragem de liderar tão cedo não parou aí: aos 24 anos, já com três filhos pequenos, criou uma escola que aplicava o método Montessori, inovando e acreditando na educação como transformação.
Seu trabalho pedagógico sempre foi reconhecido por onde passou, deixando marcas positivas e inesquecíveis. Infelizmente, sua trajetória na escola foi interrompida por escolhas societárias infelizes, mas nem isso foi capaz de abatê-la, pois sempre manteve o reconhecimento unânime por sua competência e dedicação.
Hoje, tenho o privilégio de conviver diariamente com outro grande exemplo: minha esposa. Ela é a síntese perfeita entre força, carinho e competência profissional. Além de ser uma companheira incrível, é uma mãe extraordinariamente dedicada e uma advogada admirada e respeitada nacionalmente.
Sua habilidade de conciliar essas três funções— esposa, mãe e advogada—é admirável. Lembro-me, com emoção especial, do dia do nascimento do nosso filho primogênito, às 9h37 da manhã de uma segunda-feira. Naquela tarde, precisei me ausentar para uma audiência e, enquanto saía do quarto, deparei-me com uma cena inesquecível: três clientes de minha esposa chegavam para visitá-la e para realizar uma reunião de trabalho ali mesmo, no hospital.
Aquilo foi para mim a expressão máxima de seu comprometimento, dedicação e responsabilidade profissional. Minha esposa sempre foi alguém que não aceita perder tempo com distrações; pelo contrário, é focada em fazer acontecer e ocupar espaços por mérito próprio.
Essas três mulheres extraordinárias— minha avó Yedda, minha mãe e minha esposa—são testemunhas vivas daquilo que acredito profundamente: a verdadeira revolução ocorre por meio do trabalho, da perseverança e da coragem de enfrentar cada desafio com dignidade e vontade genuína de vencer.
Em sintonia com a essência da célebre música de Geraldo Vandré, essas mulheres nunca esperaram acontecer; elas mesmas fizeram a hora, conquistaram seus espaços por mérito e se tornaram exemplos inspiradores que marcaram profundamente minha vida.