Diariamente em consultório, os pacientes clamam por saber o que os acomete e quando conseguem sabê-lo, querem uma cura para tal infortúnio. Acontece que, apesar da grande busca pela ciência, a limitação da vida também é seu maior potencial, somos complexos. É que a prevalência estimada da doença antes de assumir exames e tratamentos a serem realizados deve ser levada em consideração.
Basta usar como exemplo algo bastante presente na rotina de muitos há mais de um ano, estamos em pandemia de Covid19. A população teve que lidar de forma mais próxima com alguns termos para testes da doença. A imprecisão das ciências da saúde e a complexidade humana ficam gritantes quando entendemos que testes e exames não se resumem aos resultados positivo e negativo. Há também falso positivo e falso negativo.
Sobre isso impera a clínica do paciente na hora de recomendar que façam os exames. Se não há indicação clínica, não há sentido em check-ups anuais. O excesso de diagnósticos e o excesso de tratamentos acontecem devido ao não seguimento dessa premissa. Nessas imprecisões, a população se submete a exames caros e tratamentos invasivos.
Ainda sobre o exemplo da Covid19 e a inseguridade da saúde, vimos o que ocorreu com os usuários de ivermectina, cloroquina e outras substâncias que foram inúmeras vezes rejeitadas para resolução do desfecho morte por Covid19. A taxa de mortalidade pela doença no Brasil não chega a 3%. O que leva a pessoa a pensar que foram estas medicações que a salvaram e não que ela já estaria na faixa dos 97% de sobreviventes? Mais gasto, mais sobrecarga do corpo para lidar com os fármacos, menos pensamento coerente, este foi o saldo.
Em uma ciência em que não há certeza nem exatidão, contemplemos a saúde de forma cuidadosa ao entender que o exame pode dar um falso negativo e você ter Covid19, bem como você pode tomar medicamentos que prometem milagres e talvez não sejam eles que estão te curando.