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Tempo de fantasiar

Carnaval é uma festa da alma e também alívio para o povo

A folia se transformou em um evento cultural e de protesto, de altíssimo nível. Também com seus mistérios e encantos, permite a conjugação do verbo fantasiar, não somente pelas vestes, mas nos pensamentos, um respiro da alma

Publicado em 22 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

22 fev 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Cenas da folia de carnaval: tempo de refrescar a cabeça diante dos problemas da vida Crédito: Divulgação
A conhecida “festa da carne” tem vinculação intrínseca com a matriz cristã que antecede ao período de 40 dias da Festa da Páscoa, em que se recomenda a contenção da carne e de exageros. Caracterizado por ser uma festa pública e multifacetada, tem viés democrático e cabe todo mundo. Os adereços, fantasias e máscaras saem dos baús e as pessoas se permitem experiências e encontros que revitalizam o viver.
Com o passar do tempo, desde imemoriais, a festa popular foi se amalgamando à realidade de cada lugar, sendo contaminada pela história e cultura de cada povo, adquirindo matizes e cadências peculiares em cada canto. Com esse movimento, a festa tida como “mundana” foi adquirindo o papel de extravasar o que resta represado e funcionando como “caixa de ressonância” de muitos gritos que acabam silenciados no cotidiano pela rudeza e rigidez dos sistemas de opressão.
Nesse rastro, a “festa da carne” se transformou em um evento cultural e de protesto, de altíssimo nível, que requer meses de trabalho árduo de pesquisa e construção, resultando em belíssimos desfiles que se transformam em verdadeiras aulas de história. Nesse sentido, o carnaval assume o status de momento espacial e temporal para a realização de Direitos Fundamentais de dupla natureza, lazer e cultura.
Lado outro, também com seus mistérios e encantos, permite a conjugação do verbo fantasiar, e não somente por meio das vestes, mas também nos pensamentos, que possibilitam o respiro da alma, que cansada de tensões e embates pede passagem para a alegria.
Dessa forma, o carnaval abdica do título de festa da carne, para se transformar em festa da alma, que permite que se respire diferente por entre as fissuras e se redescubra que a vida pode ser leve, como numa terça-feira de carnaval.
E como bem disse dom Helder Câmara, em 1975, em sua crônica radiofônica da Rádio Olinda AM: “Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobraram para minha gente querida”. E que o povo, mesmo tão sofrido por tantas tragédias e violências, possa, nesse carnaval, lembrar que a alma pode brincar de ser feliz, e isso ser transformado em um estado permanente de vida, por meio de vários caminhos, sendo um deles a efetivação de direitos.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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