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Artigo de Opinião

Marcos Alencar

Meu currículo de folião é de causar inveja a qualquer um

Desfilei por três anos seguidos na Banda de Ipanema e no Simpatia é Quase Amor, no Rio de Janeiro; uma vez na Mocidade da Praia. E morei por ano e meio no Morro da Piedade

Publicado em 01 de Março de 2019 às 18:32

Publicado em 

01 mar 2019 às 18:32
Carnaval de clube no ES Crédito: Cedoc | A Gazeta
Marcos Alencar*
Não fui um folião da boca pra fora. Meu currículo é de causar inveja, modéstia às favas. Seis anos nos carnavais do Siribeira, em Guarapari. De sábado até a quarta-feira de manhã, quando a orquestra nos “despejava” nas águas da Praia do Meio. Quatro anos enlouquecido nos trios elétricos de Salvador, com plantão cívico na Praça Castro Alves. E mais cinco anos saçaricando no bloco Unidas de Carapeba que partia do Parque Moscoso e, fingindo-se de exausto, acampava no Britz Bar para beber um pouco mais. Penso até em consultar o ministro Guedes pra ver se não posso somar esses anos de labuta no samba pra dar uma melhorada na minha aposentadoria. Vou mandar um WhatsApp pra ele.
Já ia me esquecendo de dizer que desfilei por três anos seguidos na Banda de Ipanema e no Simpatia é Quase Amor, no Rio de Janeiro; uma vez na Mocidade da Praia. E morei por ano e meio no Morro da Piedade. Folião “con patientes”, como dizem nuestros hermanos.
No Unidas de Carapeba levamos para as ruas as mais bizarras fantasias. Inesquecíveis como a homenagem que o jornalista Rubinho Gomes prestou a Helena Rubinstein, na sua meio tosca, meio chique, “O que a Helena Rubens tem com isso”. Mas perdeu feio para a fantasia do meu compadre Demilson Martins com sua arrebatadora “Odalisca Barbada”. Seus colegas engenheiros foram unânimes em dizer que não tinha pra mais ninguém. Na verdade, tinha sim. A minha fantasia, muito elogiada pela atriz Tamara Taxman, botou todas as demais no bolso. Uma histórica “Fada Safada” que por pouco não me levou pra cadeia. Eu batia com a vara de condão nos foliões falando coisas que não se fala perto de criança e, na empolgação, brinquei assim com um policial. Que – sem graça ele! – não gostou. Quase dancei. Quer dizer, quase fui para trás das grades.
Hoje em dia, continuo um folião à distância. Sambo na imaginação assistindo aos mais novos se acabarem na avenida. E morro de inveja. E por gostar tanto de carnaval, outro dia sonhei que me convidaram para criar um enredo de uma escola de samba. Corri feliz para o computador. Em pouco tempo já tinha toda a história pronta. O nome do enredo era “Boca de Siri Forever”. Em resumo: um abaixo-assinado levava milhões de eleitores de todo o Brasil a bater às portas do Supremo Tribunal Federal pleiteando acrescentar um artigo à Constituição. Um artigo inovador que previa uma mudança radical, revolucionária, tranquilizadora e abençoada, proibindo definitivamente nossos políticos de abrirem a boca. Isso mesmo, seus discursos e entrevistas deveriam ser exclusivamente divulgadas por escrito. Quem quisesse que lesse. Já pensaram que maravilha viver, como disse o poeta? Mas, infelizmente, um outro compositor pôs um ponto final na minha alegria: “Foi tudo um sonho, acordei.”
 *O autor é cronista
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