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São Paulo

Veja perguntas sem respostas sobre as mortes em Paraisópolis

Há divergências nos depoimentos dos policiais que participaram da operação e relatos de moradores contradizem a versão oficial da gestão do governador João Doria (PSDB)

Publicado em 03 de Dezembro de 2019 às 16:33

Redação de A Gazeta

Publicado em 

03 dez 2019 às 16:33
Favela em São Paulo foi palco de tragédia no domingo (01) Crédito: Wikimedia/Divulgação
Dois dias depois de um tumulto após ação da PM na favela Paraisópolis (zona sul de São Paulo) terminar com nove jovens mortos e 12 feridos, há uma série de questões ainda não esclarecidas sobre o epissódio. Há divergências nos depoimentos dos policiais que participaram da operação e relatos de moradores contradizem a versão oficial da gestão do governador João Doria (PSDB).
A Polícia Civil investiga o caso por meio da Delegacia de Homicídios e a corregedoria da PM apura se houve responsabilidade dos agentes.
Veja abaixo perguntas ainda sem resposta sobre as mortes das vítimas entre 14 e 23 anos na madrugada de domingo (1º).
Quem eram os homens que estavam na moto, que teriam atirado na polícia, e qual o motivo dos disparos?
A PM ainda não identificou quem são os dois suspeitos que, segundo a versão do governo, teriam disparado contra os agentes que faziam patrulha no local e gerado a suposta perseguição que terminaria em tumulto no baile
Quais as evidências de que a perseguição existiu e onde está a moto?
Testemunhas dizem não ter visto moto nem tiros descritos pelos policiais. Segundo a corporação, era uma motocicleta preta Yamaha, modelo XT 660, e a perseguição está comprovada, uma vez que policiais avisaram rapidamente sobre a abordagem. A moto ainda não foi encontrada
Os jovens começaram a correr após ouvir tiros ou para fugir da fumaça das bombas de gás disparadas pela polícia?
A questão ainda é controversa. Na versão oficial da PM, o estopim para a correria que resultou no pisoteamento de nove pessoas foram os tiros supostamente disparados por dois criminosos. Os relatos dos jovens que estavam no baile são de que a correria começou após bombas de gás e agressões por cassetetes que teriam partido da polícia
Os jovens realmente morreram pisoteados? Eles teriam caído na correria ou desmaiado com o efeito das bombas de gás?
Apenas o resultado dos exames por legistas vai dizer com certeza. Segundo a PM, todos morreram pisoteados. Relatos de moradores, porém, são de que as supostas agressões por policiais podem ter ocasionado a morte de parte das vítimas
As viaturas da Força Tática foram até os PMs de motocicleta para tirá-los em segurança do baile ou os agentes já haviam saído da favela e voltaram depois?
Há incongruências entre as versões da própria polícia. De acordo com o comando da PM, os agentes que teriam perseguido a moto até o baile foram hostilizados e viraram alvo de pedras e garrafas. Os agentes pediram reforço e se abrigaram. Na ocorrência registrada pela Polícia Civil, no entanto, os policiais narram ter conseguido sair da favela, se encontrado com superiores e voltado ao baile com reforço da Força Tática
Por que a polícia teria dispersado uma multidão sem garantir uma rota segura de escape?
Segundo moradores, policiais fecharam ambos os lados da rua e começaram a disparar balas de borracha e bombas de gás. Imagens e relatos indicam que a multidão ficou encurralada em vielas estreitas -alguns tropeçaram e acabaram mortos. O governo sustenta que não houve dispersão, mas sim reação às agressões
Por que o baile continuou por mais cinco horas após a morte dos jovens?
Ainda não se sabe, mas o baile não tem organizador nem apresentações de DJs ou MCs; funciona com iniciativas descentralizadas ao longo da rua

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