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Coronavírus

Sob alta recorde da Covid-19, Amazonas anuncia reabertura gradual do comércio

Nesta sexta-feira (1º), o Amazonas bateu novos recordes de casos e óbitos. Com mais 469 infectados por Covid-19, o total chega 5.723 registros

Publicado em 02 de Maio de 2020 às 08:34

Redação de A Gazeta

Publicado em 

02 mai 2020 às 08:34
Apesar dos saltos de casos do novo coronavírus nos últimos dias, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) anunciou um plano de reabertura escalonada do comércio não essencial em Manaus daqui a duas semanas.
Hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, em Manaus, preparado para pacientes com coronavírus
Hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, em Manaus, preparado para pacientes com coronavírus Crédito: Mario Oliveira / Semcom
O sistema de saúde da cidade foi o primeiro do país a colapsar. A capital do Amazonas é também a única até agora a enterrar mortos em valas coletivas após os óbitos terem crescido 179,5% no mês de abril, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Lima disse que a reabertura vai depender das confirmações das projeções da curva de casos de coronavírus. Um estudo encomendado pelo governo estima que Manaus já está no pico do contágio e que os registros diários na região metropolitana começarão a cair a partir de 11 de maio.
Nesta sexta-feira (1º), o Amazonas bateu novos recordes de casos e óbitos. Com mais 469 infectados por Covid-19, o total chega 5.723 registros. Houve 51 novos óbitos. Ao todo, já morreram 476 pessoas vítimas da doença no estado.
"Estabelecemos um prazo que, a partir do dia 14, essas atividades retomam gradualmente, mas que até lá nós estamos renovando nosso decreto que suspende serviços que não são essenciais e até lá as pessoas têm de respeitar o isolamento social", afirmou o governador Wilson Lima.
A reabertura deverá ser em etapas. Em 14 de maio, abriria parte do comércio não essencial, de pet shops a lojas de roupas. Em 21 de maio, seria a vez de bares, restaurantes, lojas de departamento e de eletrodomésticos, entre outros.
No terceiro ciclo, em 28 de maio, igrejas, cabeleireiros e lojas de armas de fogo voltariam às atividades.
Creches, escolas e universidades retomariam as aulas a partir de 6 de julho. Por último, em agosto, casas de shows e eventos poderão reabrir.
O anúncio foi feito no mesmo dia em que o presidente da Assembleia, o ex-aliado Josué Neto (PRTB), abriu um processo de impeachment contra Lima, a pedido do Sindicato dos Médicos, que vê má administração no sistema de saúde.
Josué Neto é ex-aliado de Lima, e ambos são bolsonaristas, embora defendam o isolamento social. Caso o governador e o vice-governador sofram o impeachment, é o presidente da Assembleia que assume, mas haverá nova eleição.
"Só se deveria pensar em reabertura quando os números começam a cair, e não agora, no meio da crise", afirma a médica Adele Schartz Benzaken, doutora em saúde pública e diretora medica do programa global da AHF (Fundação de Cuidado à Aids, na sigla em inglês) para 42 países.
Moradora de Manaus desde ao ano passado, Benzaken aponta outros dois problemas para a reabertura do comércio: a subnotificação de casos e óbitos e a pouca adesão da população ao distanciamento social.
"Não acredito nos dados publicados. É uma cidade onde todos os dias há pessoas morrendo em casa sem assistência ou diagnóstico e onde o número de enterros no cemitério é três vezes maior do que o habitual", disse a sanitarista.
Para ela, o distanciamento social nunca foi implementado de fato na cidade de Manaus. "De forma otimista, diria que a adesão foi de 30%. Se reabrir, terá de ser com uma série de regras que eu não sei se a população vai cumprir."
"Será preciso limitar o número de pessoas dentro de um comércio, respeitar o distanciamento de dois metros entre as pessoas na fila. São coisas que a população não tem feito. Falta muita informação e monitoramento."
O risco de reabertura precoce, diz, Benzaken, é o de recrudescimento da doença. "Podemos ter uma segunda onda, que vai fazer com que o sistema de saúde, que não correspondeu agora, volte a colapsar. O plano é correto, mas não é adequado colocar datas."
Benzaken comandou o departamento de HIV/Aids e hepatites virais do Ministério da Saúde até janeiro do ano passado, quando foi exonerada no início do governo Bolsonaro.
À época, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse ao jornal Folha de S.Paulo que o governo precisava voltar a estimular a prevenção do HIV, "mas sem ofender as famílias".
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