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Poluição

Redução de metas de carbono é 'autorização para poluir', dizem usinas

Produtores de biocombustível se unem contra a liminar obtida por distribuidoras de combustíveis para reduzir as metas de aquisição de créditos de carbono
Redação de A Gazeta

Publicado em 

11 nov 2020 às 18:25

Publicado em 11 de Novembro de 2020 às 18:25

Produtores de biocombustíveis classificaram como "retrocesso" e "autorização para poluir" a liminar obtida na segunda (9) por distribuidoras de combustíveis para reduzir as metas de aquisição de créditos de carbono dentro do programa Renovabio.
Abastecimento em posto de gasolina
Abastecimento em posto de gasolina Crédito: Fernando Madeira
A Unica (União da Indústria de Cana de Açúcar) informou que acionou seu corpo jurídico para tentar reverter a decisão, defendida pelo setor de combustíveis como uma medida para impedir a quebra de pequenas empresas diante dos altos preços dos certificados.
Para a Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), a decisão é "retrógrada do ponto de vista ambiental, sem amparo na lei e deslocada do processo de discussão que se deu ao longo do ano sobre as metas de compras de créditos de descarbonização".
O Renovabio é alvo de questionamentos desde o início da pandemia, que reduziu as vendas de combustíveis automotivos no Brasil. Em setembro, o governo já havia cortado pela metade a meta de aquisição em 2020, mas ainda assim o setor alega que o prazo é curto para cumprir os compromissos.
Chamados de CBios, os certificados são emitidos por produtores de etanol e biodiesel e devem ser adquiridos por empresas que vendem derivados de petróleo em proporções equivalentes aos volumes vendidos.
O objetivo do programa é precificar as emissões de carbono pelo consumo de derivados de petróleo e fomentar investimentos na oferta de biocombustíveis. Cada título equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que deixou de ser emitida na atmosfera.
Na segunda, a Brasilcom (Associação das Distribuidoras de Combustíveis), que representa 46 empresas do setor, obteve liminar reduzindo as obrigações a 25% do volume original.
A entidade alega que, diante dos elevados preços dos Cbios e do pouco prazo para repasse, a meta anterior teria impactos tanto nos preços dos combustíveis quanto nas finanças das distribuidoras de menor porte.
Na sexta (6), o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás), que representa as três maiores companhias do setor, já havia questionado a viabilidade do cumprimento das metas atuais. As duas entidades acusam produtores de biocombustíveis de represar a emissão dos certificados para forçar alta de preços.
Os certificados são negociados na B3 e hoje custam em torno de R$ 50. Podem ser adquiridos também por investidores ou empresas que tenham interesse em compensar emissões de carbono em suas atividades.
Aprobio e Unica rechaçam as acusações e dizem que há quantidade suficiente de certificados para o cumprimento das metas negociadas com o governo federal. Para os produtores de cana, a liminar representa "autorização judicial para poluir mais".
"Ficamos escandalizados com a postura de algumas distribuidoras que não embarcaram no trem do século 21", diz a Unica, pedindo às autoridades que impeçam mudanças nas regras do programa. "Qualquer coisa diferente disso será um inaceitável atentado contra o Brasil e contra os brasileiros."
"O RenovaBio cria uma agenda positiva que induz eficiência e valoriza os investimentos em tecnologia limpa, além de consolidar os biocombustíveis como um dos mais importantes vetores de desenvolvimento econômico, gerando empregos e renda distribuídos no interior do Brasil", conclui a Aprobio.

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