Publicado em 14 de julho de 2021 às 16:57
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira (14) que o Ministério da Saúde não conta, para o Programa Nacional de Imunizações e campanha contra a Covid, com doses da vacina Covaxin. O imunizante, fabricado pela empresa Bharat Biotech, é atualmente alvo de investigação na CPI da Covid.>
O mesmo valeria para a vacina Sputnik V, do Instituto Gamaleya, da Rússia. O motivo alegado pelo ministro seria a falta de registro ou aval para uso emergencial dos dois imunizantes, que possuem apenas autorização na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para importação mediante condições.>
"O Ministério da Saúde já adquiriu 600 milhões de doses de vacinas, e não temos necessidade dessas doses adicionais desses dois imunizantes que obtiveram essas licenças de importação", disse o ministro, que frisou em seguida a situação da Covaxin.>
"A vacina produzida pela Bharat Biotech, Covaxin, tem sido alvo de discussões. O Ministério da Saúde, através de sua diretoria de integridade, de integrantes da CGU e da nossa assessoria jurídica, orientou a suspensão desse contrato por questão de conveniência e oportunidade", disse o ministro.>
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"Portanto, o Ministério da Saúde não conta, dentro do PNI, com agentes imunizantes que não tenham obtido aval da Anvisa de maneira definitiva ou emergencial, porque entendemos que o que temos de doses já é o suficiente para imunizar a população brasileira até o final do ano", completou.>
Recentemente, a pasta suspendeu um contrato que havia sido firmado em fevereiro com a Precisa Medicamentos, que representa a empresa Bharat Biotech, para obter 20 milhões de doses da Covaxin.>
O ministério, no entanto, ainda avalia a possibilidade de cancelamento definitivo do acordo. A medida ocorre em meio ao avanço nas investigações em torno dos contratos sobre a vacina indiana.>
A existência de denúncias de irregularidades foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo com a divulgação do depoimento sigiloso de Luís Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação da Saúde. Ele disse ao Ministério Público Federal em Brasília que recebeu uma "pressão atípica" para agilizar a liberação da vacina.>
As declarações do ministro ocorreram em audiência na comissão de seguridade social da Câmara dos Deputados.>
No encontro, Queiroga comentou ainda a decisão de exonerar o diretor de logística, Roberto Ferreira Dias, envolvido em denúncias sobre a Covaxin e suposta cobrança de propina em outras negociações de vacinas -o que ele nega. "Todos que tenham seu nome envolvido em situações que não fiquem claras serão afastados", disse.>
Segundo o ministro, o aval limitado à licença de importação se coloca como dificuldade tanto para a Covaxin quanto para a Sputnik V, na comparação com as demais vacinas.>
"É apenas uma licença para importação, condicionada a 21 itens, e um deles é uma população de 1% do estado que pleiteou, controlado por estudos de efetividade", disse.>
Questionado sobre a importação de doses da Sputnik V que vem sendo negociada pelos estados, os quais obtiveram o aval excepcional da Anvisa, Queiroga disse que deve apoiar a medida. Mas afirmou ver como baixo o impacto da inclusão da vacina no Programa de Imunizações.>
"Se for interesse do fórum de governadores ter esse quantitativo pequeno de Sputnik V, o ministério vai apoiar. Mas, sinceramente, esse tipo de imunizante, nessa quantia muito reduzida, não alterará a nossa campanha de imunização. O que precisamos é buscar antecipação das doses já contratadas", disse.>
De acordo com Queiroga, a previsão é que haja oferta de 60 milhões de doses de vacinas em agosto -número que, segundo ele, permitiria acelerar a campanha de vacinação.>
Na audiência, o ministro também voltou a criticar estados que tomaram decisões por antecipar a segunda dose de vacinas contra Covid, em especial a da AstraZeneca.>
"Muito se escuta acerca de modificações nos esquemas que são propostos pelo plano de imunização, com redução do intervalo de doses e inclusão de grupos que não foram pactuados. Embora existam dados que defendam esse tipo de conduta, para mim o que deve prevalecer é o que foi definido na tripartite [comissão com União, estados e municípios]", disse.>
"Se há sugestões para fazer alteração, devem ser submetidas ao PNI e comitê tripartite para que possamos fazer de forma homogênea passando uma mensagem única para os brasileiros", afirmou.>
Para ele, a proposta de reduzir o intervalo da AstraZeneca não tem consenso científico.>
"Não há evidências de que se encurtar vai promover mais eficiência contra variantes. Não há consenso na ciência sobre isso, pelo contrário, o que tenho visto é que o espaçamento garante maior eficácia", disse.>
Situação diferente ocorre para doses da Pfizer, afirma. "A bula da Pfizer prevê 21 dias, e no momento que chegou ao país, o objetivo era avançar na primeira dose [daí a extensão do intervalo a três meses]. Mas se decidir encurtar para 21 dias, isso tem respaldo", disse o ministro, segundo quem a avaliação dependerá ainda do total de doses disponíveis.>
Na audiência, Queiroga também reconheceu que há necessidade de mais recursos no orçamento da Saúde para medidas contra Covid. Segundo ele, a pasta conta com R$ 131 bilhões de orçamento, somado a R$ 38 bilhões em créditos extraordinários.>
"Temos uma expectativa de termos um orçamento que é talvez o maior que o ministério dispõe nos últimos anos, mas creio que ainda é pouco para o que temos que enfrentar", afirmou .>
Questionado no encontro sobre o impacto da realização da Copa América, o ministro disse avaliar que o evento foi feito com sucesso, mesmo com o registro de casos de Covid e possibilidade de entrada de nova variante no país.>
"Tivemos sim uma prova de que é possível compatibilizar, mesmo dentro de um ambiente pandêmico, a prática de outras atividades que são importantes, porque o país não pode ficar o tempo inteiro parado", afirmou.>
"Através de um protocolo rigoroso conseguimos realizar o evento com sucesso. Ao contrário do que se dizia, que a pandemia seria descontrolada por conta da Copa América, o que assistimos foi uma melhora dos indicadores econômicos", disse ele, segundo quem o evento pode ser um modelo para outros cenários, como a retomada das aulas presenciais.>
Parlamentares também aproveitaram a audiência para questionar o ministro sobre o pedido do presidente Jair Bolsonaro por um parecer para desobrigar o uso de máscaras, proposta que foi alvo de críticas de especialistas.>
Segundo o ministro, ainda não há um parecer sobre o tema. Ele justificou o pedido afirmando que o presidente está satisfeito com a campanha de imunização, mas "não gosta de máscara".>
"Eu já falei, o presidente está muito satisfeito com o ritmo da campanha de imunização. Ele me cobra: 'Como é que está a vacina? Nós precisamos antecipar a vacinação'. Porque o presidente não gosta de máscara, todo mundo sabe. Ele anda sem máscara. E me perguntou a partir de que momento a população já podia ficar sem máscara. E eu disse que temos que fazer estudos. Depois que estiverem concluídos, podemos emitir um parecer", disse. "Todos nós queremos tirar essas máscaras, mas dentro de um contexto que seja seguro.">
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