Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 15:12
O Ministério Público reconheceu que Thayane Smith, 19, cometeu omissão de socorro ao deixar Roberto Faria Tomaz, 19, para trás no Pico do Paraná. O rapaz foi considerado desaparecido e encontrado dias depois. O órgão pediu que a mulher pagasse R$ 4.863, o equivalente a três salários mínimos, por danos materiais e morais causados a Roberto. A representação do Ministério Público também sugere que Thayane preste serviços comunitários por três meses junto ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, que fez as buscas por Roberto.>
A representação do Ministério Público também prevê que ela indenize o Corpo de Bombeiros pelos dias de busca pelo rapaz. O valor estipulado pelo Ministério Público foi de R$ 8.105, por cinco dias de trabalhos na região do pico. O pedido deve ser analisado pela Justiça, que vai decidir se aplica ou não a pena à jovem. A Polícia Civil já decidiu arquivar o inquérito do caso por entender que não havia crime cometido pela mulher.>
A decisão do Ministério Público entendeu que mulher apresentou "interesse apenas em seu próprio bem-estar físico" ao abandonar o amigo. O órgão levou em consideração a análise de depoimentos e disse que a situação de vulnerabilidade de Roberto era perceptível no momento em que ele foi deixado para trás. A reportagem buscou a defesa de Thayane para saber se ela quer se manifestar sobre o entendimento do MP. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado se houver posicionamento.>
Roberto foi considerado desaparecido em 1º de janeiro, após Thayane seguir outros montanhistas na descida do pico e deixá-lo para trás. Após uma manhã sem contato, as buscas começaram. Eles começaram a trilha por volta das 13h do dia 31 de dezembro, mas durante o percurso, o jovem passou mal algumas vezes. A dupla chegou ao cume por volta das 4h do dia 1º de janeiro e desceu em seguida.>
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Roberto, de 19 anos, foi encontrado vivo e consciente no dia 5 de janeiro na região de Cacatu. Ele chegou a uma fazenda, onde os militares foram acionados após cinco dias desaparecido. O jovem caminhou mais de 20 quilômetros sozinho pela mata até encontrar um local seguro. "Felizmente, ele conseguiu superar as adversidades, descer as encostas e chegar sozinho", afirmou o tenente-coronel Ícaro Gabriel, do Corpo de Bombeiros. Assim que chegou à fazenda, Roberto ligou para a irmã. "Estou cheio de roxos, com várias escoriações, sem enxergar direito porque perdi meus óculos, sem bota, mas estou bem", relatou em uma videochamada gravada.>
Ele foi encaminhado ao Hospital de Antonina. De acordo com os bombeiros, Roberto não tinha experiência em montanhismo. Nas redes sociais, ele se descreve como técnico em segurança do trabalho e bombeiro civil.>
Durante as buscas, Thayane explicou por que seguiu adiante com outros montanhistas, deixando o amigo para trás. "É pelo fato de ser meu estilo de vida. Eu gosto dessas coisas. Peguei o ritmo dos corredores e fui.", relatou em conversa com a Record Paraná. Ela afirmou que havia outras pessoas próximas a Roberto, o que a fez descartar o risco de ele se perder. "Não sei o que aconteceu. Agora não podemos fazer nada, temos que manter o equilíbrio e esperar os bombeiros fazerem o trabalho deles." No entanto, integrantes do grupo relataram que passaram pelo ponto onde o jovem teria ficado, mas não o viram. A família de Roberto afirmou que ele foi deixado para trás porque não conseguia acompanhar o ritmo e Thayane queria seguir mais rápido.>
Ela prestou depoimento à Polícia Civil do Paraná, que informou não haver indícios de crime. Atendendo a uma recomendação dos bombeiros, o Instituto Água e Terra restringiu temporariamente o acesso ao Parque Estadual Pico Paraná.>
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