Publicado em 14 de junho de 2024 às 10:26
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta quinta-feira (13) que as polícias estaduais têm combatido a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que transfere à reserva os militares das Forças Armadas que se candidatarem a cargos eletivos. >
A proposta foi acertada por Múcio com os chefes militares em agosto de 2023. A PEC, porém, encontrou resistência no Senado, liderada pelo senador e general da reserva Hamilton Mourão (Republicanos-RS). "Já soube que, no Senado, passa com dificuldade porque a oposição tomou isso como uma causa importante para eles. A oposição ao governo Lula acha que isso é uma afronta", disse Múcio durante videoconferência com ex-ministros da Defesa promovida pelo Cedesen (Centro de Defesa e Segurança Nacional).>
A proposta apresentada pelo governo Lula (PT) não afeta os policiais e bombeiros militares e está restrita aos oficiais e praças das Forças Armadas. O foco, segundo Múcio, é evitar que funções em instituições de Estado sejam usadas para propaganda política. "Quem mais está combatendo esse nosso projeto são as polícias, que têm deputados e vereadores que mandam mais até do que os comandantes das polícias estaduais. Eles têm feito uma campanha enorme, embora a gente não tenha colocado eles no projeto, mas sabem que podem terminar resvalando neles", afirmou o ministro.>
"Tem o deputado delegado fulano de tal, delegado beltrano de tal. São pessoas que usaram suas delegacias, seus postos do estado ou município para fazer proselitismo e campanha política. O Rio de Janeiro [está] passando o que está passando porque passou por tudo isso", disse. A oposição das Polícias Militares à PEC foi apresentada ao ministro da Defesa por Hamilton Mourão, durante uma reunião no fim de abril no Quartel-General do Exército.>
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O encontro envolveu Múcio, os ex-ministros da Defesa Nelson Jobim, Jaques Wagner e Raul Jungmann, e o comandante do Exército, general Tomás Paiva. O senador disse aos presentes que a proposta poderia até passar no Senado, mas seria inviabilizada na Câmara pela bancada da bala, segundo relato de três pessoas que participaram da reunião.>
Apresentada em setembro por Wagner, que foi ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff (PT), a PEC estabelece que os militares das Forças Armadas que quiserem concorrer a cargos eletivos devem ser transferidos à reserva no registro da candidatura. As regras atuais são mais flexíveis e permitem que o militar peça um afastamento para se candidatar. Se derrotado, pode voltar ao serviço ativo sem prejuízo à carreira e aposentadoria.>
A proposta foi aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em novembro de 2023, mas tem se arrastado no Senado mesmo após atingir o número mínimo de sessões exigido por regimento para votação de emendas constitucionais. O ministro afirmou na videoconferência que pretende aprovar este ano no Congresso a PEC que estabelece percentual do PIB (Produto Interno Bruto) para o orçamento da Defesa. A proposta original destinava 2% do PIB, mas Múcio aceitou reduzir para 1,5% para conseguir apoio do governo e do Congresso.>
Ele disse ainda que o governo vai anunciar nos próximos 60 dias o primeiro concurso público para servidores civis na carreira de defesa --demanda apresentada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que ainda não foi viabilizada.>
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