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"Militares são responsáveis e sabem seu papel", diz Maia

Segundo o presidente da Câmara, se for alvo de representação no conselho de ética e decoro parlamentar, Eduardo poderá explicar o que quis dizer com as declarações

Publicado em 28/05/2020 às 18h19
Atualizado em 28/05/2020 às 18h19
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, concede entrevista coletiva sobre a atividade legislativa durante a crise causada pelo coronavírus
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, concede entrevista coletiva sobre a atividade legislativa durante a crise causada pelo coronavírus. Crédito: Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira (28) que os militares têm responsabilidade e sabem o seu papel, em resposta a declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de que as Forças Armadas poderiam resolver crise entre os Poderes.

Maia fez as declarações antes do início da sessão que analisa a medida provisória que prevê suspensão de contrato de trabalho e corte da jornada e do salário para socorrer empresas.

"Acredito que os militares têm responsabilidade, sabem o seu papel, sabem que o seu papel não é o papel que muitas vezes é defendido pelo deputado Eduardo Bolsonaro", afirmou Maia.

Segundo o presidente da Câmara, se for alvo de representação no conselho de ética e decoro parlamentar, Eduardo poderá explicar o que quis dizer com as declarações.

"Vamos esperar mais algumas semanas para restabelecer o Conselho de Ética, e ali é o caminho adequado para esses debates", disse. Assim como outras comissões da Câmara, o Conselho de Ética não está funcionando desde que as sessões presenciais foram suspensas.

Mais cedo, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, havia citado o golpe de 1964 como exemplo de "clamor popular" por uma intervenção dos militares para solucionar problemas entre Legislativo, Executivo e Judiciário.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Eduardo afirmou que o STF (Supremo Tribunal Federal) vem interferindo no Poder Executivo e que isso poderia levar a uma insurgência por parte da população.

"E vou me valer de novo das palavras de Ives Gandra Martins: o poder moderador para reestabelecer a harmonia entre os Poderes não é o STF, são as Forças Armadas", disse Eduardo.

"Eles [Forças Armadas] vêm, põem um pano quente, zeram o jogo e, depois, volta o jogo democrático. É simplesmente isso", afirmou.

Maia também comentou declarações do presidente realizadas nesta manhã no Palácio da Alvorada. Em recado ao Supremo, criticou a investigação policial ordenada pelo STF e disparou queixas contra a corte.

"Não teremos outro dia como ontem, chega", disse, na saída do Palácio da Alvorada. "Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news."

Em outro trecho, Bolsonaro afirmou ter em mãos as "armas da democracia". E disse que "ordens absurdas não se cumprem" e que "temos que botar limites".

Para Maia, as declarações de Bolsonaro "são muito ruins" e vão no caminho contrário da tentativa de construção de pontes implementada desde a última semana.

"As declarações de hoje vão em outro caminho, um caminho que gera insegurança, mas ao mesmo tempo há um discurso e há uma decisão prática, que o ministro [André Mendonça, da Justiça], não sei se o ministro adequado, recorreu da decisão, o que significa que respeitou a decisão do Supremo", disse o deputado.

O ministro André Mendonça (Justiça) ingressou com um pedido de habeas corpus para Abraham Weintraub (Educação) a fim de "garantir liberdade de expressão dos cidadãos".

Em reunião ministerial em 22 de abril, o ministro disse que "colocaria todos esses vagabundos na cadeia, começando no STF".

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