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Pandemia

Maioria no Brasil conhece alguém que já pegou coronavírus

A pesquisa do Datafolha ouviu 2.069 brasileiros adultos em todos os estados do país por telefone nos dias 25 e 26 de maio

Publicado em 05 de Junho de 2020 às 17:53

Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 jun 2020 às 17:53
Coronavírus - Covid19
Coronavírus - Covid19 Crédito: Gerd Altmann/Pixabay
Três meses depois do registro do primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no Brasil, 52% da população afirma que conhece alguém que contraiu o vírus, revela pesquisa Datafolha, que também mostra que se intensificou o temor em relação à Covid-19. De cada 10 brasileiros, 8 dizem temer a doença.
Ao todo, 5% dos entrevistados pelo Datafolha disseram já ter contraído o vírus (2% afirmaram ter feito teste, e 3%, disseram que não fizeram), e 52% relatam conhecer alguém que pegou. Parte das pessoas declarou estar nos dois grupos.
O instituto ouviu 2.069 brasileiros adultos em todos os estados do país por telefone nos dias 25 e 26 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Segundo os dados do Ministério da Saúde, o país tinha até esta segunda-feira (1º) quase 30 mil mortes por Covid-19 e mais de meio milhão de casos.
Se o índice referente a casos testados aferido na pesquisa fosse aplicado à população brasileira adulta (hoje de 164 milhões de pessoas), isso resultaria em cerca de 2,5 milhões de casos, o quíntuplo do número oficial -para fazer a projeção, é usado o número com uma casa decimal (1,5%), e é importante considerar que o levantamento tem margem de erro.
Divulgada na semana passada, uma pesquisa nacional coordenada pelo epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, mostrou que 1,4% dos habitantes de 90 cidades que abrigam um quarto da população brasileira contraiu o vírus, conforme resultado de exames que detectam a presença de anticorpos para o Sars-CoV-2.
Novamente, se transposto à população do país, o índice indicaria o sêxtuplo do número de casos oficiais.
Médicos e especialistas que trabalham com modelos matemáticos vêm insistindo, desde o começo da pandemia, em fevereiro, que há forte subnotificação de casos no país.
Embora a proporção de subnotificação aparentemente venha diminuindo nos casos de óbito pela Covid-19, com o desafogamento dos canais de processamento de exames, a enorme limitação da oferta de testes no país para casos que não sejam graves ainda alimenta a subnotificação.
Entre os entrevistados pelo Datafolha que dizem conhecer alguém que foi contaminado pelo coronavírus, o infectado é, na maior parte das vezes, um conhecido (37%) ou um amigo próximo (24%).
A parcela dos que afirmam já ter contraído o vírus ou saber de alguém nessa situação se concentra principalmente na faixa de 25 a 59 anos (oscila de 57% a 59% nesses grupos) e cai na de 60 anos ou mais (44%), faixa que tem os maiores índices de mortalidade.
É também predominante nas regiões metropolitanas (64%) e entre os mais ricos -abrange 77% da população com renda familiar mensal de mais de dez salários mínimos.
Foi em pessoas da camada de maior renda que o vírus começou a circular no país. O primeiro caso registrado foi o de um homem de 61 anos que havia voltado da Lombardia, um dos primeiros bolsões da pandemia na Itália.
Esse quadro, no entanto, pode mudar à medida que o vírus se interioriza e chega com mais força a periferias e comunidades pobres.
Entre as regiões, a que tem menos gente que já teve contato direto com o vírus ou sabe de um caso próximo é a Sul, com 34%. No Nordeste, o índice é de 60%. Os números se alinham aos dados do Ministério da Saúde.
Ao mesmo tempo em que o coronavírus já chega perto do cotidiano de mais da metade da população, cresce a parcela dos brasileiros que dizem sentir muito medo dele. São 45%, ante os 38% registrados na pesquisa anterior, do início de abril, e 36% na realizada entre 18 e 20 de março.
Por outro lado, 34% dizem sentir um pouco de medo, e 21%, não ter medo.
Relatam sentir muito medo, mais do que a média, mulheres (51% delas), pessoas mais pobres (50% das com renda de até dois salários mínimos) e quem rejeita o governo de Jair Bolsonaro (62%).
No caso do recorte por renda, a afirmação pode estar ligada ao acesso à saúde. Disponibilidade de leitos e equipes treinadas são considerados elementos-chave para a recuperação da doença.
Na quinta-feira (28), quatro estados (Amazonas, Pará, Rio de Janeiro e Pernambuco) tinham mais de 90% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados. Outros cinco (Ceará, Goiás, Espírito Santo, Maranhão e Rio Grande do Sul) ultrapassavam a barreira dos 60%.
O Datafolha mostra que quem tem mais medo do novo coronavírus também tende a rejeitar mais o governo Bolsonaro. O presidente tem seguidas vezes minimizado a gravidade da doença. Essa fatia mais receosa da população reúne 61% dos que são favoráveis ao impeachment e 55% dos que defendem a renúncia.
A maioria dos entrevistados que viu a reunião ministerial do último dia 22 de abril diz ter muito receio da Covid-19, mencionada na ocasião apenas de forma lateral pela cúpula do governo federal.
Por outro lado, entre os que pegaram ou conhecem alguém que pegou o coronavírus, há empate técnico em relação ao apoio ao impedimento ou à renúncia do presidente (55% defendem e 52% são contra em ambos os casos).
A pesquisa Datafolha mostra ainda que a maioria da população se opõe à pressão de políticos para o uso da cloroquina contra a Covid-19, bandeira de Bolsonaro. Entre os entrevistados, 89% avaliam que é uma decisão que deve ser tomada por médicos, mesmo índice do levantamento anterior, feito no dia 3 de abril.
A liberação do remédio sem amparo científico para uso no estágio inicial da doença e seus potenciais riscos levaram o ex-ministro da Saúde Nelson Teich a pedir demissão no último dia 15. Sob comando interino desde então, o ministério publicou cinco dias depois da saída de Teich protocolo que amplia a possibilidade de uso do medicamento para pacientes com sintomas leves do coronavírus.

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