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Críticas

Ao lado de Mujica, Lula foca discurso em precarização do trabalho na era dos aplicativos

'É o ser humano sendo tratado da forma mais canalha possível em nome de uma palavra chamada 'flexibilização' e de uma palavra chamada 'empreendedorismo'', disse o ex-presidente

Publicado em 09 de Fevereiro de 2020 às 13:03

Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 fev 2020 às 13:03
Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, e Luis Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, participam de conversa durante evento de 40 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) Crédito: Diego Padilha / Divulgação PT
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a investir, na noite deste sábado, num discurso focado em aspectos da Economia, como a precarização do trabalho. Ao lado do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, criticou a naturalização de empregos como o de entregador de aplicativo, nos quais o trabalhador não tem vínculo empregatício com a empresa nem garantias trabalhistas.
"Você não sabe quem é seu patrão, não tem assistência médica. É o ser humano sendo tratado da forma mais canalha possível em nome de uma palavra chamada "flexibilização" e de uma palavra chamada "empreendedorismo", disse o ex-presidente. "Eu peço pizza no iFood. O serviço é maravilhoso para o consumidor, mas eu quero saber a contrapartida. Esse é o desafio que precisamos cobrar do Estado."
Conhecido pela defesa de que políticos tenham uma vida austera, Mujica voltou a criticar, ao lado de Lula, aqueles que enriquecem na vida pública. "Política é uma paixão, um compromisso, e políticos têm que aprender a viver como vive a maioria do povo, não como uma minoria privilegiada", apontou o uruguaio, cujo partido, a Frente Ampla, deixa o poder no fim deste mês após 15 anos de presidência.
Em um momento constrangedor, após a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) anunciar a presença da "ex-primeira dama" do Uruguai, Mujica reclamou da abordagem. "Somos republicanos. Não temos primeira-dama." Lucía Topolansky é vice-presidente na gestão Tabaré Vázquez.
Mujica também ressaltou bandeiras comuns em seus discursos, como a necessidade de os jovens buscarem a felicidade e se engajarem na política por paixão, não por ambição financeira ou de poder.
O espaço principal da Fundição, tradicional casa de shows do Rio, tem capacidade para 5 mil pessoas e estava lotado. Antes de Lula e Mujica subirem no palco, uma espécie de ópera petista intercalava trechos da história do PT com apresentações musicais.
Além do debate entre Lula e Mujica, a festa de 40 anos do PT contou com outras discussões ao longo do dia. Em uma delas, cinco partidos de esquerda (PDT, PSB, PSOL E PCdoB, além do protagonista do evento) falaram sobre a necessidade de união da esquerda num contexto de governo Bolsonaro. Em outra mesa, o ex-prefeito e ex-presidenciável Fernando Haddad chamou Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, de "parasitas", rebatendo fala de Guedes nesta sexta-feira em que criticou os servidores públicos.

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