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Lula diz que brasileiro gasta muito com cachorro e que China 'não deve ter esse problema'

Petista diz que ninguém mais quer dar sobra de comida para cachorro, que vai até ao dentista; presidente vê endividamento da população como barreira para aumentar popularidade

Publicado em 26 de Março de 2026 às 20:17

Agência FolhaPress

Publicado em 

26 mar 2026 às 20:17
BRASÍLIA - O presidente Lula (PT) disse nesta quinta-feira (26) que brasileiros estão gastando muito com cachorros e que na China "não deve ter esse problema".
A declaração ocorreu durante visita do presidente a uma fábrica de automóveis em Anápolis (GO) onde a produção é uma parceria entre empresas do Brasil e da China – havia chineses no evento.
Cães ainda são consumidos como alimentos em algumas regiões da China, apesar de a prática ser cada vez mais rejeitada no país. Houve risos na plateia quando Lula disse que, no país asiático, não deveria haver problemas com gastos excessivos com cachorros.
- Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à fábrica da CAOA, no Setor Industrial, Anápolis
Lula durante visita a uma fábrica de automóveis em Anápolis (GO) Crédito: Ricardo Stuckert / PR
O presidente falava sobre o endividamento da população, fenômeno que ele julga ser uma das barreiras para sua popularidade crescer em ano eleitoral.
Ele mencionou diversas despesas, como compras de roupas pela internet, e disse que a soma de pequenos gastos compromete os salários. O presidente também classificou esse aumento de despesas como um costume dos tempos atuais.
"Na China, não deve ter esse problema, mas aqui no Brasil nós gostamos muito de cachorro", disse o petista.
"Agora quem tem um cachorrinho tem que levar no dentista para cuidar da boca dele. Ninguém aceita que a gente dê mais resto de comida. Era fácil pegar resto da comida e colocar para o cachorro lá fora. Agora não, agora os cachorrinhos querem dormir com a gente", declarou o presidente da República.
O presidente e a primeira-dama Janja têm uma vira-lata chamada Resistência, e a cadela Esperança, resgatada das enchentes no Rio Grande do Sul.
"Tudo isso vai aumentando o sequestro dos nossos salários", afirmou Lula. O presidente disse que solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a elaboração de propostas para reduzir o endividamento da população.
A Folha de S. Paulo mostrou na terça-feira (24) que o presidente avalia que o endividamento das famílias está afetando sua popularidade em ano eleitoral e que Lula quer mudanças nos juros do cartão de crédito. Ele disputará a reeleição em outubro e aparece nas pesquisas de intenção de voto tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No discurso desta quinta, o presidente não deu detalhes sobre qual providência está sendo estudada. Apesar disso, ele mencionou a possibilidade de uma campanha de comunicação para instruir trabalhadores sobre como gerir os próprios salários.
Lula afirmou que a economia do país vai bem, mas que há uma desconfiança na sociedade por causa das dívidas. Comparou a situação com jogos em que o time pelo qual se torce ganha jogando mal. "O time ganhou, mas alguma coisa está errada. Não deu o espetáculo que eu queria", ilustrou o presidente.
O chefe do governo também relacionou o endividamento das pessoas ao uso de celulares, uma vez que esses aparelhos facilitam a disseminação de propagandas e aceleram diversos processos de compra. Lula não tem celular, e frequentemente critica o uso constante desses telefones pela população.
Além disso, o petista mencionou meios de pagamento que substituem o dinheiro físico, como Pix e cartões de crédito.
"Quando tem uma nota de R$ 100, a gente não quer nem trocar, quer ficar com ela na carteira. Mas agora a gente não precisa mais de dinheiro. É tudo no tal do Pix. É tudo no cartão de crédito. A gente não vê. E quando a gente não vê o dinheiro, a gente gasta", disse Lula.

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