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Eleições 2022

Lula destaca lado bom do agro, mas diz que 'boiada não vai passar mais'

Petista cita que há produtores com "responsabilidade", em aceno ao agronegócio, mas se mostra contrário à flexibilização de normas ambientais, durante evento em Belém (PA)

Publicado em 02 de Setembro de 2022 às 15:11

Agência FolhaPress

Publicado em 

02 set 2022 às 15:11
  • Julia Chaib

BRASÍLIA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (2) em encontro com representantes de povos da região amazônica que "a boiada não vai passar mais", em referência a termo usado pelo ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles para se referir à flexibilização de normas ambientais.
Durante evento em Belém (PA), o petista disse que é preciso evitar aqueles que agem "com discurso de que é preciso desmatar", mas voltou a ponderar que há grandes produtores com "responsabilidade", em aceno a setores do agronegócio.
Luiz Inácio Lula da Silva
Lula recebeu de indígenas um cocar e o título de guardião da Amazônia Crédito: Ricardo Stuckert / PT
Mirando parte da população da região Norte, Lula ainda anunciou um programa, que chamou de "Mais Alimento", para aumentar a capacidade produtiva de agricultores familiares.
Com a presença também de representantes de religiões de matriz africana na cerimônia na capital paraense, o ex-presidente voltou a dizer que o estado é laico e afirmou que "todo mundo tem direito a crer no seu Deus e professar sua fé", em defesa da liberdade religiosa.
O discurso de Lula ocorre no dia seguinte à divulgação de pesquisa Datafolhaque mostra redução na diferença entre ele e Jair Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida pela Presidência da República.
O levantamento mostra que Jair Bolsonaro se manteve estável, com 32% das intenções de voto, mesmo índice registrado na sondagem passada, enquanto Lula marcou 45%, com uma oscilação de dois pontos para baixo, dentro da margem de erro em relação ao último levantamento.
Ciro Gomes (PDT) oscilou de 7% para 9%, e Simone Tebet (MDB) cresceu de 2% para 5%.
A pesquisa também atesta que Bolsonaro mantém vantagem entre evangélicos, com 48% das intenções de votos contra 32% de Lula. Já o petista tem 51% entre católicos e o atual mandatário, 28%.
O ex-presidente participou nesta sexta-feira de encontro com indígenas, quilombolas, mães e pais de santo, ribeirinhos, extrativistas e outros representantes da região amazônica no Parque dos Igarapés, na capital paraense.
Na ocasião, Lula recebeu de indígenas um cocar e o título de guardião da Amazônia e ouviu demandas dos representantes das diversas alas da população que estavam no local.
Embora já tenha dito que não usará religião para fazer política, Lula aproveitou o evento com a presença de mães de santo para fazer um aceno a todas as religiões.
"Quero que saibam que todas as religiões desse país serão profundamente respeitadas. Todo mundo tem o direito de crer no seu Deus e todo mundo tem o direito de professar a sua fé. Haverá respeito a todas as religiões, as religiões de matriz africada, aos evangélicos, aos católicos, judaicos, aos islâmicos, todo mundo será respeitado porque é isso que está na Constituição Brasileira.
Numa tentativa de mitigar rejeições entre evangélicos, o ex-presidente ainda afirmou que criou a Lei da Liberdade Religiosa e a Marcha para Jesus, afirmações que têm sido propagadas por sua campanha para rebater notícias de que Lula fechará igrejas caso eleito.
"Foi no meu governo que criamos o maior grau de liberdade para cada um professar a religião que deseja."
Lula aproveitou a viagem ao Norte também para discursar a produtores locais e também tentar corrigir uma derrapada durante entrevista ao Jornal Nacional, no qual afirmou que parte do agronegócio é "fascista", mas manteve a crítica ao desmatamento da região.
"Quero dizer que a boiada não vai passar mais", afirmou. "Até porque os grandes produtores que tem responsabilidade porque vendem seus produtos no mercado estrangeiro não querem correr o risco de serem prejudicados porque estão praticando violência contra a nossa Amazônia", afirmou.
"Precisamos evitar que aqueles que agem com irresponsabilidade, que fazem discurso de que é preciso desmatar, fazer queimada, essa gente não são pessoas responsáveis que trabalham dignamente para produzir, para vender e para ganhar a vida no nosso país", continuou.
Durante a agenda em Belém, Lula ainda afirmou que criará o Ministério da Pesca, da Mulher e dos Povos Originários e que escolherá um indígena ou quilombola para chefiar este último ministério.
O ex-presidente também criticou Bolsonaro e repetiu que o presidente enviou a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) ao Congresso Nacional sem prever a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600 e sem aumento real do salário mínimo.

VIÚVA DE INDIGENISTA PEDE JUSTIÇA PARA CRIME NA AMAZÔNIA

Também durante o evento desta sexta, a antropóloga Beatriz de Almeida Matos, viúva do indigenista Bruno Pereira, assassinado no Vale do Javari em 5 de junho, reivindicou justiça para o crime e entregou a Lula uma carta com demandas para indígenas isolados na Amazônia.
"A maior homenagem ao Bruno, para nós da família e para todos que o amavam e admiravam, seria primeiramente assegurar que seja feita a justiça no caso dele e do Dom [Phillips, também assassinado na floresta]. Que todos os envolvidos, inclusive possíveis mandantes, que até o momento não foram identificados, sejam responsabilizados e que as redes criminosas responsáveis pelas mortes dele e do Dom sejam desmontadas", disse Beatriz a Lula.
A antropóloga ponderou que o crime permeia quase todos os territórios da Amazônia e precisa ser desmontado.
Beatriz afirmou que o maior legado do marido e a melhor forma de homenageá-lo é garantindo os direitos dos indígenas isolados e apresentou uma série de demandas da OPI (Observário dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), criado por Bruno.
Entre os pedidos estão o uso do conhecimento científico e técnico na política para essa população, o fortalecimento da Funai, a demarcação de terra dos isolados e a prevenção de genocídios na área.
Lula cumpriu nesta semana viagens pela região Norte. No início da semana, o ex-presidente foi a Manaus (AM) e na quinta (1º), chegou a Belém. Na capital paraense, participou de encontro com artistas e produtores culturais e também promoveu um comício.
Nesta sexta (2), o candidato segue para agenda em São Luís (MA).

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