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Fogo no Pantanal ameaça área de concentração de onças-pintadas em MT

Fogo no Pantanal ameaça área de concentração de onças-pintadas em MT

Dos quase 109 mil hectares do Parque Estadual Encontro das Águas criado em 2004, aproximadamente 51 mil hectares já foram atingidos pelas chamas

Publicado em 10 de setembro de 2020 às 09:45

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Vegetação é consumida pelo fogo e animais morrem na região de Pacone, no Mato Grosso
Vegetação é consumida pelo fogo e animais morrem na região de Pacone, no Mato Grosso. (Lalo de Almeida/Folhapress)

As chamas que destroem o Pantanal mato-grossense no último mês já atingiram mais de 45% do Parque Estadual Encontro das Águas, região que concentra a maior quantidade de onças-pintadas no mundo, localizado entre os municípios de Poconé e Barão de Melgaço, ao sul de Cuiabá

Dos quase 109 mil hectares do parque criado em 2004, aproximadamente 51 mil hectares já foram atingidos pelas chamas.

A informação é do coordenador do Comitê Temporário Integrado Multiagências de Coordenação Operacional de MT (Ciman/MT), tenente-coronel bombeiro militar Dércio Santos da Silva.

"O estado não mede esforços para conter os incêndios e esta área especificamente colocamos como prioridade, diante da grande extensão das áreas do Pantanal. Após as equipes reportarem os incêndios no local, sobrevoamos a região, e definimos um conjunto de estratégias para ações no local, e de otimização dos recursos", afirma.

O Corpo de Bombeiros diz ter reforçado, desde a semana passada, as ações para conter o avanço das chamas dentro do parque. A maior preocupação é o controle do fogo, para evitar que avance na região leste do parque, que é o refúgio das onças-pintadas.

No mês passado, a Fazenda São Francisco do Perigara, considerada o maior refúgio mundial da arara-azul, perdeu ao menos 70% dos seus cerca de 25 mil hectares, quase todos de vegetação nativa.

A estratégia já definida prevê duas linhas de defesa, uma na região norte e outra a leste da unidade de conservação, combinadas com o combate direto em alguns locais.

O Corpo de Bombeiros também vem atuando para conter as chamas nas regiões de moradia, como pousadas e fazendas, e nas mais de 140 pontes da rodovia Transpantaneira presentes na região.

De acordo com a corporação, seis aeronaves estão atuando na região para impedir uma maior devastação do Parque Estadual Encontro das Águas.

Além disso, cerca de 140 pessoas -entre bombeiros militares de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, militares da Marinha e servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, do ICMBio, do Ibama e funcionários do Sesc Pantanal- estão atuando diretamente no combate aos incêndios florestais nas proximidades do Sesc Porto Cercado, Parque Estadual Encontro das Águas e na região da Transpantaneira.

Aviões do ICMBio, do Sesc e uma aeronave Cougar UH-15 da Marinha têm lançado um volume de água de aproximadamente 30 mil litros nas frentes dos incêndios que avançam da porção sul do parque e nas proximidades de Porto Jofre, no município de Poconé (102 km de Cuiabá).

ZOOTECNISTA MORRE APÓS TER O CORPO QUEIMADO

O incêndio que devasta o Pantanal vitimou na madrugada desta quarta-feira (9), o zootecnista Luciano da Silva Beijo, após três dias internado em Cáceres (225 km a oeste de Cuiabá).

Ele teve todo o corpo queimado durante tentativa de apagar incêndio em uma área rural no último domingo (6), próximo à serra do Facão.

O zootecnista e outros dois funcionários da fazenda tentaram apagar o fogo que atingia a pastagem, mas foram surpreendidos pelo vento forte, que mudou a direção das chamas e as levou o lado dos trabalhadores.

Todos correram, mas Beijo tropeçou e ficou preso, sendo alcançado pelo fogo, que já havia atravessado a estrada. Ele foi socorrido pelos colegas e levado para atendimento médico no Hospital Regional de Cáceres, mas não resistiu.

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