Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Brasil
  • Eduardo assinou contrato com diretor de filme de Bolsonaro, mas diz que planos mudaram
Caso Banco Master

Eduardo assinou contrato com diretor de filme de Bolsonaro, mas diz que planos mudaram

Função assumida pelo ex-deputado daria poder de lidar diretamente com a gestão financeira do projeto, segundo Intercept Brasil; Flávio Bolsonaro nega que irmão tenha gerido recursos do filme

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 19:18

Agência FolhaPress

Publicado em 

15 mai 2026 às 19:18
SÃO PAULO E WASHINGTON - O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e assinou um contrato com poderes sobre a gestão financeira do projeto, de acordo com o site The Intercept Brasil. Os documentos obtidos contradizem declarações públicas de Eduardo de que ele teria apenas cedido direitos de imagem, sem exercer nenhum cargo de gestão na produção.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo admitiu que assinou um contrato com a produtora do filme para contratar o diretor da obra e que recebeu a função de diretoria executiva, mas afirmou que os planos mudaram.
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado
Eduardo Bolsonaro disse, inicialmente, que não havia exercido nenhum cargo de gestão no filme. Reprodução
Segundo o Intercept, o contrato, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, designa ele e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, ao lado da produtora GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos. A função conferiria poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e a gestão financeira de um projeto audiovisual.
Ainda de acordo com o site, os produtores-executivos teriam responsabilidade sobre decisões estratégicas de financiamento, preparação de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos para o filme – que, na época, se chamava "O Capitão do Povo".
Também haveria uma minuta de aditivo contratual, datada de fevereiro de 2024, citando Eduardo como "financiador" da produção. O Intercept ressalva que não há confirmação de que o aditivo tenha sido, de fato, assinado.
No vídeo postado em suas redes, Eduardo Bolsonaro disse que o Intercept está fazendo um "vazamento seletivo" para "assassinar a reputação de Flávio Bolsonaro".
Segundo Eduardo, o contrato com o cargo foi assinado com a produtora para assegurar a execução do filme. O ex-deputado diz que enviou US$ 50 mil para os EUA como garantia para que o diretor Cyrus Nowrasteh continuasse no projeto. Por isso, teria recebido o título de produtor-executivo.
"A produtora, na época, disse basicamente o seguinte: Eduardo, bota esse dinheiro aqui. Como o risco é 100% seu, eu vou te garantir ser diretor-executivo do filme", disse ele.
Ainda segundo Eduardo, grandes investidores teriam entrado no projeto antes do fim do contrato, o que possibilitou que o ex-deputado não precisasse mais ter essa função. Ele diz que, com essa mudança, recebeu de volta os US$ 50 mil que havia enviado como garantia.
"Quando essa estrutura passou a ser de fundo de investimento, ter outra estrutura, eu saí dessa posição de diretor-executivo, e passei a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais", disse Eduardo.
"Quem diz que recebi dinheiro de Daniel Vorcaro ou do fundo criado nos Estados Unidos está mentindo. Eu recebi meu dinheiro de volta da produtora, o valor que era meu e que nem foi corrigido. Esse dinheiro foi o que permitiu confeccionar o filme", afirmou. Procurado diretamente pela Folha, o ex-deputado não se manifestou.
Em entrevista à CNN na tarde desta sexta (15), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o contrato mostrado pelo Intercept é antigo e que Eduardo publicaria um vídeo para explicar a situação. Segundo o senador, seu irmão nunca fez a gestão dos recursos do filme.
Na quarta-feira (13), o Intercept revelou que Flávio articulou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para financiar a produção, dos quais R$ 61 milhões já foram pagos. Um áudio de setembro de 2025 mostra o senador cobrando mais recursos ao banqueiro. Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens em troca.
Nesta sexta, o Intercept também publicou mensagens em que Eduardo orienta o empresário Thiago Miranda, intermediário entre Vorcaro e a família Bolsonaro, sobre como enviar recursos aos Estados Unidos. "O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo", teria dito Eduardo.
Em outra mensagem, sugere: "Enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual".
As mensagens indicam que parte dos valores negociados por Flávio com Vorcaro foi transferida ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo – entre eles Paulo Calixto, advogado responsável pelo processo imigratório do ex-deputado nos Estados Unidos.
A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para o filme teria custeado despesas de Eduardo nos EUA, para onde ele se mudou em fevereiro de 2025 alegando perseguição do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Em postagem em redes sociais na quinta (14), Eduardo negou ter recebido recursos do fundo e afirmou que a suspeita "não se sustenta e é tosca". Disse ainda que seu status migratório nos EUA não permitiria tal operação. Já Mario Frias informou ao Intercept que "Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo" do filme.
O orçamento total da produção, segundo documentos obtidos pelo site, está estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões – valor que condiz montante que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro: US$ 24 milhões.

Veja Também 

Alexandre Padilha, ministro da Saúde

Governo anuncia a oferta de 23 medicamentos de alto custo para tratar 18 tipos de câncer no SUS

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado

Eduardo assinou contrato com diretor de filme de Bolsonaro, mas diz que planos mudaram

O ator Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em filme

Filme sobre Bolsonaro teve denúncias de abusos e condições precárias em set

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

José Dirceu, ex-ministro e ex-deputado do PT
Linfoma: o que é e quais os riscos do câncer diagnosticado em José Dirceu
Imagem de destaque
Jantar saudável: 4 receitas leves com proteína vegetal 
Justiça - Fórum Criminal Vitória - Tribunal do Júri
Justiça nega adiamento de júri de ex-PM acusado de matar músico no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados