Publicado em 8 de outubro de 2024 às 20:57
Após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar na tarde desta terça-feira (8) a volta da rede social X (antigo Twitter), alguns usuários brasileiros relataram já terem voltado a acessar a plataforma.>
Entretanto, muitos ainda estão sem acesso.>
Isso porque a volta tende a ser gradual nas próximas horas, conforme as milhares de empresas que atuam no setor da internet recebem a ordem do desbloqueio através de comunicação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e fazem ajustes técnicos para liberar o acesso à rede social.>
Thiago Ayub, diretor de tecnologia da empresa Sage Networks, acredita que dentro de dois dias úteis a maioria das empresas terá concluído todo esse processo — tomando como base experiências anteriores. >
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Segundo o STF, a ordem para o desbloqueio já foi emitida. A BBC News Brasil ainda não teve retorno da Anatel. >
A agência reguladora, atuando com uma espécie de "oficial de Justiça" ao repassar a ordem do STF, tem a obrigação de notificar operadoras e provedores em 24 horas, segundo Ayub. >
Já essas destinatárias não têm um prazo oficial para cumprir a ordem, embora o especialista acredite que não demorarão a fazê-lo.>
"Como o assunto é de muita repercussão, podemos estimar que atuarão no desbloqueio com afinco pensando na satisfação dos clientes", aponta. >
"A cada hora que passa, mais empresas receberão a notificação e outras já terão concluído as atividades técnicas de desbloqueio. É importante agirem com cautela pois erros humanos nesse processo podem gerar curtos apagões nos provedores e operadoras. O tempo e a quantidade de checagens e revisões variam de empresa para empresa, podendo levar alguns dias para conclusão.">
De acordo com Ayub, há mais de 20 mil empresas no setor. Algumas são grandes operadoras conhecidas pelo nome, enquanto outras são empresas atacadistas pouco conhecidas pelo internauta brasileiro e que vendem internet em "grande quantidade às demais". >
O X estava bloqueado no Brasil desde 30 de agosto, por determinação do STF devido a ordens judiciais não cumpridas pela empresa do bilionário Elon Musk. >
O processo de desbloqueio é, na prática, o caminho inverso do bloqueio que ocorreu no fim de agosto. >
Os endereços de IP que haviam sido bloqueados serão, agora, desbloqueados. >
Esses endereços são códigos que permitem a comunicação entre diferentes laptops, computadores e celulares que usam a internet. >
Ao acessar um site, porém, o usuário comum não usa esse código. Em vez disso, informa um nome de domínio, como x.com, e ainda assim encontra o que deseja. O responsável por essa conversão é o chamado DNS (Sistema de Nomes de Domínio).>
Em nota, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, comemorou o desbloqueio.>
"A decisão do X de pagar multas pendentes e se adequar à legislação brasileira é uma vitória para o país. Mostramos ao mundo que aqui as leis devem ser respeitadas, seja por quem for. O Brasil é soberano", escreveu Filho. >
Segundo especialistas entrevistados pela BBC News Brasil, a pressão de investidores, acionistas e anunciantes associados ao conglomerado de Musk provavelmente convenceu a empresa a recuar, a cumprir ordens judiciais e a pagar multas devidas. >
Alexandre de Moraes e Elon Musk vinham desde abril travando — muitas vezes, publicamente — uma queda de braço que opunha os argumentos do combate à desinformação e da liberdade de expressão. >
Moraes determinou o bloqueio de contas no X acusadas de divulgar mensagens criminosas ou antidemocráticas, o que foi descumprido algumas vezes pela empresa de Musk com o argumento de ser um cerceamento à liberdade de expressão. >
Em abril, Musk escreveu em sua conta na rede social que Moraes seria um "ditador do Brasil" e que manteria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "em uma coleira".>
A decisão de Moraes desta terça-feira (8) pede "absoluta observância às decisões do Poder Judiciário, em respeito à soberania nacional".>
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