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Ministério da Saúde

Com risco de avanço do coronavírus, governo quer mais mil leitos de UTI

A previsão é que os leitos sejam abertos em hospitais de referência para atendimento de possíveis casos em até 30 dias

Publicado em 30 de Janeiro de 2020 às 20:27

Redação de A Gazeta

Publicado em 

30 jan 2020 às 20:27
Anvisa fala sobre o Coronavírus, Marcus Miranda, o diretor- presidente substituto, Antonio Barra e a coordenadora de infraestrutura e meio de transporte da gerência geral de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa, Viviane Vilella Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Em meio ao avanço de casos do novo coronavírus na China e novos registros em outros países, o Ministério da Saúde se prepara para abrir uma licitação para contratar cerca de mil leitos extras de UTIs. A previsão é que os leitos sejam abertos em hospitais de referência para atendimento de possíveis casos em até 30 dias.
"É bem provável que vamos precisar de um acréscimo na oferta de leitos de cuidados intensivos, então começamos a abrir um processo de licitação para ter mais mil leitos de UTI em hospitais de referência para coronavírus. A partir daí, os leitos serão colocados em 30 dias em funcionamento nos hospitais que forem selecionados pelos estados", disse o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis.
Segundo ele, os leitos devem ser distribuídos conforme a necessidade de cada local. "A distribuição seguirá os planos de contingência e a evolução da doença", diz. O valor do investimento não foi informado –em geral, o custo mensal varia entre R$ 15 mil a R$ 20 mil por leito.
A medida faz parte de um conjunto de ações em planejamento em meio ao risco de entrada do vírus no país. Nesta quinta (30), a Organização Mundial de Saúde decidiu declarar emergência em saúde pública a nível internacional devido ao coronavírus.
Representantes do Ministério da Saúde disseram que a avaliação da OMS já era esperada. "A avaliação de risco não é estática, muda diariamente. Estamos acompanhando o desdobramento das ações. Não é nenhuma surpresa a adoção dessa nova definição ou declaração", afirma o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira.
De acordo com Oliveira, a pasta ainda analisará as recomendações da organização para verificar se há necessidade de alguma mudança nas ações já adotadas no Brasil em relação ao vírus. A declaração por si só não traz uma mudança imediata, diz ele. "Temos que ver se houve mudança relativa ao trânsito de pessoas ou na definição de casos", diz. "Adotaremos e seguiremos as recomendações da OMS."
No mundo todo são 8.235 casos confirmados de coronavírus no mundo. Destes, 8.124 ocorreram na China continental (sem contar Hong Kong e Macau). Ao todo, 20 países já registraram infecções pelo novo vírus.
Balanço divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Ministério da Saúde mostra que o Brasil ainda registra nove casos de suspeita de coronavírus.
Por outro lado, subiu de quatro para seis o número de casos descartados para a doença. A mudança ocorre após resultado de exames em dois casos que eram investigados em Santa Catarina e que tiveram diagnóstico para outros tipos de vírus.
Segundo o ministério, também houve mudança na lista de casos de suspeita de coronavírus com mudança na classificação de alguns registros anteriores e entrada de outros casos. "Estamos validando caso a caso", diz Oliveira. "Esses números vão ficar mais estáveis nos próximos dias."
Os registros de suspeita da doença estão distribuídos atualmente em Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), São Paulo (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Ceará (1).
Ainda segundo o balanço, desde 18 de janeiro, outros 28 casos de pessoas com sintomas respiratórios chegaram a ser notificados por secretarias de saúde para serem avaliados, mas nenhum se enquadrava na definição de casos suspeitos.
Em geral, o ministério considera como casos suspeitos aqueles que apresentam febre e sintomas respiratórios, como tosse e dificuldade para respirar, além de histórico de viagens à China em até 14 dias antes do início dos sintomas –o período corresponde ao tempo máximo avaliado até o momento de incubação do vírus (tempo entre a infecção e o desenvolvimento dos sintomas).
Na última semana, a pasta ativou um centro de operações de emergência para monitorar o registro de possíveis casos. O centro, formado por especialistas em emergência em saúde pública, foi ativado em nível 1, entre três possíveis, o que indica um alerta inicial, visando a preparação da rede de saúde.
Com o registro do primeiro caso suspeito, o nível de alerta passou a 2, o que indica um risco iminente do vírus entrar no país. Caso haja confirmação do primeiro caso, a previsão é que esse alerta passe ao último nível, quando o país poderá declarar emergência em saúde pública a nível nacional. A medida visa reforçar ações para evitar que haja a manutenção da transmissão da doença no país e garantir que haja assistência a possíveis casos.
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