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Caso Marielle Franco

Carlos Bolsonaro acessa gravações e nega ligação de portaria à casa do pai

O Jornal Nacional noticiou nesta terça-feira (29) que o ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes em março de 2018, disse na portaria que iria à casa de Bolsonaro no dia do crime

Publicado em 30 de Outubro de 2019 às 15:27

Redação de A Gazeta

Publicado em 

30 out 2019 às 15:27
Carlos Bolsonaro, vereador Crédito: Divulgação/Câmara do Rio
Agência FolhaPress - O vereador Carlos Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo que, segundo ele, foi gravado na manhã desta quarta-feira (30) na administração do condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde o pai, o presidente Jair Bolsonaro, tem uma casa. Carlos mora em outro imóvel no condomínio.
A postagem de Carlos é uma reação à citação do nome do pai no caso Marielle Franco, diante do depoimento de um porteiro desse condomínio onde o presidente tem casa no RJ.
Segundo reportagem do Jornal Nacional, o ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes em março de 2018, disse na portaria que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal, no dia do crime.
Os registros de presença da Câmara dos Deputados, no entanto, mostram que Bolsonaro estava em Brasília nesse dia.
No vídeo desta quarta-feira (30), Carlos acessa um computador no qual está gravada uma série de arquivos de áudio. Ele diz que às 17h13 foi feita uma solicitação de entrada, por uma pessoa de nome Élcio, para a casa 65, de Ronnie Lessa -acusado de matar a vereadora Marielle Franco.
No vídeo, Carlos reproduz a ligação registrada às 17h13. O porteiro anuncia a chegada do "senhor Élcio". A voz do outro lado, diferente da de Jair Bolsonaro, responde: "Tá, pode liberar aí".
O arquivo tem como data de modificação o dia 14 de março de 2018, às 17h13. No nome do arquivo, aparece o número 65. Não é possível garantir se Carlos de fato gravou o vídeo na administração e se todas as ligações do dia foram apresentadas na listagem mostrada por ele.
Também é possível visualizar uma ligação para a casa 58, de Bolsonaro, às 15h58, e uma para a casa 36, de Carlos, às 17h58. Questionado sobre as chamadas, o vereador publicou novo vídeo nas redes sociais, no qual reproduziu as gravações.
Na primeira, uma voz feminina atende a ligação e o porteiro avisa da chegada do mercado. Na segunda, o porteiro comunica Carlos que um motorista de aplicativo está no condomínio para buscá-lo.
Segundo o depoimento do porteiro à Polícia Civil do Rio de Janeiro, o suspeito pediu para ir na casa de Bolsonaro e um homem com a mesma voz do presidente atendeu o interfone e autorizou a entrada. O acusado, no entanto, teria ido em outra casa dentro do condomínio.
Segundo veiculado no Jornal Nacional, o livro de visitantes aponta que, às 17h10, Élcio informou que iria à casa de número 58. O porteiro disse no depoimento, no entanto, que acompanhou por câmeras a movimentação do carro no condomínio e que Élcio se dirigiu à casa 66, onde mora Lessa.
O porteiro teria ligado novamente para a casa 58; segundo ele, quem atendeu disse que sabia para onde Élcio estava se dirigindo. No depoimento, o porteiro teria dito que, nas duas vezes que ligou para a casa 58, foi atendido por alguém cuja voz julgou ser de Jair Bolsonaro.
Bolsonaro tem duas casas dentro do condomínio - uma da família e outra onde reside um dos filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC). Os investigadores estão recuperando os arquivos de áudio da guarita do condomínio para saber com quem o porteiro conversou naquele dia e quem estava na casa 58, segundo o Jornal Nacional.
Em nota produzida por volta das 8h, anterior ao vídeo divulgado por Carlos Bolsonaro, a TV Globo reiterou que teve acesso ao livro da portaria e que se informou com múltiplas fontes sobre o conteúdo do depoimento do porteiro.
"A Globo não tem nenhum objetivo de destruir quem quer que seja, mas é independente para informar com serenidade todos os fatos, mesmo aqueles que possam irritar as autoridades. E assim pode agir, justamente porque não depende nem nunca dependeu de verbas de governos, embora a propaganda oficial seja legítima e legal", diz o texto.

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