Publicado em 30 de março de 2026 às 20:18
SÃO PAULO - O PSD, partido de Gilberto Kassab, oficializou nesta segunda-feira (30) a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República.>
Caiado, 76 anos, disputava a chancela da sigla com o governador do Paraná, Ratinho Junior, que desistiu de concorrer ao cargo, e Eduardo Leite, à frente do Executivo do Rio Grande do Sul. O comunicado à imprensa ocorreu na sede da sigla, na região central de São Paulo.>
Em discurso, ele disse nesta segunda (30) que o primeiro ato, se eleito, será conceder anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar e condenado por tentativa de golpe de Estado.>
"Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita, replicando aquilo que Juscelino Kubitschek soube fazer com muita maestria a todos aqueles que se rebelaram realmente em uma verdadeira tentativa de golpe pela Aeronáutica", disse.>
>
Apesar de falar em anistia, Caiado disse que quer romper a polarização, afirmando que ela é instrumento de alguns, mas não dele, tentando se distanciar da ideia de que não fugiria da proposta do clã Bolsonaro.>
Ele citou a própria trajetória para dizer que está preparado para o cargo e disse que o pai tinha razão ao falar da necessidade de se preparar antes de chegar à Presidência. Ao falar do adversário Flávio Bolsonaro (PL), que nunca ocupou um cargo no Executivo, disse: "Não se pode aprender na cadeira".>
Ainda sobre o filho mais velho de Bolsonaro, afirmou que o "ímpeto dos jovens não é o suficiente" e que "não se governa por queda de braço" ou por decreto. "O que você precisa é ter experiência, não cabe a improvisação.">
Quando cotados ao Planato começaram a prometer indulto a Bolsonaro caso fossem eleitos, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) reforçaram desde 2025 que eventual promessa nesse sentido tende a ser derrubada pela corte.>
A posição tem como precedente o julgamento da graça assinada por Bolsonaro para beneficiar o ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado a mais de oito anos de prisão pelos crimes de ameaça ao Estado democrático de Direito ao promover ataques aos ministros do STF e estimular atos antidemocráticos.>
O ex-presidente assinou um decreto com o perdão da pena do aliado político no dia seguinte à sua condenação. O Supremo derrubou o indulto em maio de 2023, por 9 votos a 2, sob o argumento de que houve desvio de finalidade.>
Uma ala no Supremo entende que crimes contra o Estado democrático de Direito não são passíveis de perdão político.>
Caiado nunca escondeu o desejo de concorrer à disputa, o que já havia feito em 1989. Ele vocaliza os interesses da direita agrária e busca se associar ao discurso contra a violência e a corrupção.>
Médico e cirurgião, já se distanciou de Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, mas se reaproximou esperando receber o apoio do ex-presidente, que atualmente cumpre pena por uma tentativa de golpe de Estado.>
Nesta segunda, Caiado falou da formação como médico para indicar que é o mais preparado para o posto. Ele comparou a evolução na medicina com a evolução necessária na política antes de disputar o cargo.>
O político também apostou em um discurso recorrente na direita, sobre a criminalidade, e disse que Goiás é um dos estados mais seguros do Brasil. Teceu crítica dura ao PT e disse que o objetivo é que o partido de Lula não seja mais opção no país.>
A escolha do PSD gerou reação pública diferente entre Eduardo Leite e Ratinho Junior. Enquanto o último elogiou a decisão, Leite argumentou que ela "tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país".>
Sobre a crítica de Leite, o presidenciável desconversou. Disse que a anistia vai ajudar a quebrar a polarização e falou da competência do governador do Rio Grande do Sul. "Você só alimenta um projeto político da polarização quando você se beneficia dele.">
Segundo o calendário das eleições 2026 divulgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a deliberação para escolher os candidatos oficiais à Presidência ocorre de 20 de julho a 5 de agosto, período das convenções partidárias. Os pedidos de registro de candidatura precisam ser apresentados até 15 de agosto.>
Vindo de família influente e com tradição na política, Caiado foi deputado federal por cinco mandatos, o primeiro iniciado em 1991. Em 2014, foi eleito senador por Goiás. Chegou ao Executivo do estado em 2018 e foi reeleito em 2022.>
No Congresso, passou a maior parte do tempo no antigo PFL (que virou DEM em 2007 e, depois, se tornou União Brasil). Ele deixou o União Brasil em janeiro, por falta de apoio para a candidatura presidencial.>
Questionado se está à direita ou se é compatível com a proposta de Kassab de uma via de centro, disse que não nega as origens, relacionadas com a defesa da direita e do agronegócio.>
Ao mesmo tempo, afirma que não é radical. "Ninguém atinge 88% [de aprovação no governo estadual] sendo radical".>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta