As declarações ocorreram em sua live semanal, transmitida pelas redes sociais. "Eu nunca vi ninguém morrer por ter usado hidroxicloroquina, que é largamente usada na região amazônica para combater malária e lúpus", declarou Bolsonaro.
"Canalha é aquele que critica cloroquina e ivermectina e não apresenta alternativa", acrescentou, em outro trecho da live. A insistência de Bolsonaro na defesa de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid é um dos alvos de investigação da CPI, que apura os esforços despendidos pelo governo.
Os trabalhos da CPI são comandados pelos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), todos críticos ao presidente. Ao rebater críticas de que seu discurso anti-isolamento e pró-cloroquina teria contribuído para mortes no país, Bolsonaro fez um ataque a Renan, que é relator da CPI. O presidente da República simulou o que responderia caso fosse questionado pelo parlamentar na comissão.
"Prezado senador, frase não mata ninguém. O que mata é desvio de recurso público que o seu estado desviou. Então vamos investigar o teu filho que a gente resolve o teu problema. Desvio mata, frase não mata", afirmou.
As declarações do mandatário provocaram reação de Renan. "O que mata é a pandemia pela inação, inépcia, que eu torço que não seja dele [Bolsonaro]. Não queremos fulanizar isso aqui. Com relação a Alagoas, que [ele] não gaste seu tempo ociosamente como tem feito enquanto os brasileiros continuam morrendo. Aqui nesta CPI, se houver necessidade, todos serão investigados", respondeu o senador.
A CPI ouviu até o momento dois ex-ministros da Saúde – Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich – e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga.
Queiroga, por sua vez, evitou responder perguntas sobre a atuação de Bolsonaro na crise sanitária, o que irritou senadores.Também estava prevista nesta semana a oitiva do ex-ministro Eduardo Pazuello, principal alvo da CPI em seu estágio inicial. Mas o depoimento foi adiado após Pazuello afirmar que teve contato com auxiliares contaminados pela Covid.
Na live, Bolsonaro elogiou brevemente Pazuello e afirmou que a autorização para produção de insumos de vacinas no Brasil é resultado do trabalho do general.
Repetindo uma insinuação feita recentemente, Bolsonaro leu uma notícia sobre o aumento do lucro do laboratório AstraZeneca, que produz a vacina de Oxford, e sugeriu que as farmacêuticas priorizam a venda de imunizantes porque eles trariam mais benefícios financeiros do que remédios contra a Covid.
Apesar da fala de Bolsonaro, especialistas têm destacado que a superação da pandemia só ocorrerá com a ampla vacinação no mundo.
Bolsonaro também criticou o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luis Roberto Barroso.
Em entrevista recente à Globo News, Barroso disse que a adoção do voto impresso no Brasil -uma das bandeiras do bolsonarismo- levará à judicialização do pleito e gerará o caos.
"Eu acho que ele é o dono do mundo, o Barroso, só pode ser. O homem da verdade absoluta, não pode ser contestado. Eu tô preocupado que se Jesus Cristo baixar na terra ele vai ser boy do ministro Barroso", afirmou.