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Ex-ministro da Saúde

'Foi um mês perdido, que jogaram fora', diz Mandetta sobre saída de Teich

Para o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, 'fica difícil para um médico passar por cima de princípios básicos da ciência'

Publicado em 15 de Maio de 2020 às 17:18

Redação de A Gazeta

Publicado em 

15 mai 2020 às 17:18
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Crédito: Anderson Riedel/PR
Antecessor de Nelson Teich no cargo, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta classificou, em entrevista à reportagem, a saída do sucessor e o tempo de permanência dele no cargo como "um mês perdido no meio da pandemia".
"Foi um mês perdido, que jogaram fora no meio da epidemia", disse, em referência à dificuldade do sucessor em nomear equipe e adotar ações.
"Eu pedi para a equipe permanecer para ajudar, e em um mês exoneraram praticamente todo mundo, e não nomearam os novos. E agora ele sai?"
"Talvez ele [Bolsonaro] deva colocar lá uma pessoa que não seja médica, que não tenha muito compromisso e possa acelerar o que ele quer, porque fica difícil para um médico passar por cima de princípios básicos da ciência."
Para Mandetta, era "muito difícil" que Teich conseguisse implementar ações no cargo.
"Não posso dizer que a saída era esperada, mas era muito difícil que funcionasse", disse. "Ninguém consegue planejar nada com essa instabilidade."
"O tempo de permanência dele ali dentro foi um tempo perdido, para o enfrentamento da epidemia, para o Ministério da Saúde e para os estados. Não sei para ele. Em um mês ali dentro você não conhece 1% de tudo, ainda mais se nunca trabalhou no SUS [Sistema Único de Saúde], e ele não conhecia o SUS", afirma.
"É muito difícil acertar em um ministério complexo como aquele mesmo em situações normais. Com esse perfil, ainda mais uma situação dessa gravidade, teria sido uma surpresa se ele tivesse conseguido transitar em uma política tão complexa."
Para Mandetta, a pressão para liberação do uso da cloroquina ainda não encontra amparo em estudos científicos.
"É um dilema. Para nós da saúde, é impossível chegar e dizer 'relativiza', ou perguntar 'quantas mortes você acha aceitável?' Não dá."
"Não tem comprovação. Se é prejudicial ou não, ainda vamos saber. A ciência é implacável, ela tem o tempo dela, mas se manifesta", disse.

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