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Aras é criticado após dizer que mulheres têm 'o prazer de escolher a cor das unhas'

Reação de parlamentares e nas redes sociais foi intensa ao comentário do procurador-geral

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 10/03/2022 às 09h01

ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) criticou as falas do procurador-geral da República, Augusto Aras, que afirmou que as mulheres têm "o prazer de escolher a cor das unhas" e também o sapato que vão calçar. As declarações ocorreram durante seminário Dia Internacional da Mulher, promovido nesta terça (8) pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

Em nota divulgada nessa quarta (9), a ANPR Mulheres, grupo que faz parte da associação nacional que representa a categoria, afirmou que "reforçar estereótipos femininos, no âmbito do Ministério Público Federal, invisibiliza os relevantes trabalhos desenvolvidos pelas procuradoras da República e reduz o papel" por elas desempenhado na instituição.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, preside a 8ª sessão ordinária do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF)
O procurador-geral da República, Augusto Aras. Crédito: José Cruz/Agência Brasil

"Esse dia é um dia de homenagem à mãe, às filhas. É um dia de homenagem à mulher. À mulher no seu sentido mais profundo, da sua individualidade, da sua intimidade. À mulher que tem o prazer de escolher a cor da unha que vai pintar. À mulher que tem o prazer de escolher o sapato que vai calçar", disse Aras na ocasião.

Ainda durante o discurso, o PGR afirmou que "pouco me importa que tipo de escolha ela faça, porque essas maravilhosas mulheres que integram as nossas vidas e as nossas instituições são tão dedicadas a todas as causas em que se envolvem". 

A reação nas redes sociais foi também intensa ao comentário do procurador-geral.

Nesta quarta, Aras divulgou um vídeo no qual afirma que foi mal interpretado. "De forma alguma quis diminuir o papel que a mulher sempre teve em nossa sociedade. Apenas destaquei que é possível buscar qualquer posição, até o mais alto posto da República, sem abrir mão da sua feminilidade."

Ele ainda disse que hoje a mulher brasileira tem a liberdade de fazer escolhas que vão "desde a sua intimidade até a forma de participação no mercado de trabalho e na política, mas ainda temos muito o que caminhar".

Parlamentares também criticaram nas redes a fala o PGR. O deputado federal Ivan Valente chamou Bolsonaro e Arthur do Val de "esgotos machistas, misóginos e sexistas" e afirmou que "temos agora Augusto Aras para quem o protagonismo das mulheres se reduz a escolher 'a cor da pintura das unhas ou sapatos'. Não bastasse impedir o impeachment. É um troglodita bolsonarista na PGR".

A deputada estadual por Minas Gerais Laura Serrano (Novo) disse ser "lamentável a fala do PGR sobre o sentido mais profundo das mulheres: 'escolher a cor do esmalte ou o sapato que vamos calçar'. A vaidade da mulher não deve colocada como sua atividade fim. Atuamos em causas maiores e fazemos a diferença, como na política. Somos muito mais!".

Luciana Genro (PSOL-RS), deputada estadual, escreveu que "queremos é ter o prazer de tirar esse homem da PGR. Aras, além de machista, é um engavetador-geral da República. Está no cargo para blindar Bolsonaro das investigações, na esperança de se tornar ministro do Supremo. É mais um cúmplice do genocídio".

Também na terça, durante anúncio de projeto que prevê distribuição gratuita de absorventes, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a utilizar frases sexistas. O mandatário afirmou que "hoje em dia as mulheres estão praticamente integradas à sociedade. Nós as auxiliamos, estamos sempre ao lado dela, não podemos mais viver sem ela ". Usuários se manifestaram com incredulidade.

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