> >
Agente penitenciário é condenado por assassinato conectado ao caso Gritzbach

Agente penitenciário é condenado por assassinato conectado ao caso Gritzbach

O caso desencadeou a sequência de vinganças que resultou na morte do delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach com tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, três anos depois

Publicado em 20 de março de 2026 às 17:58

Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, foi morto a tiros em dezembro de 2021; ele era apontado como liderança do PCC
Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, foi morto a tiros em dezembro de 2021; ele era apontado como liderança do PCC Crédito: Reprodução/Polícia Civil

A Justiça de São Paulo condenou nesta sexta-feira (20) o agente penitenciário David Moreira da Silva, 42, pelo duplo assassinato de um líder e um integrante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em dezembro de 2021. O caso desencadeou a sequência de vinganças que resultou na morte do delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach com tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, três anos depois.

Anselmo Becheli Santa Fausta, vulgo Cara Preta, e Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, foram mortos a tiros enquanto estavam dentro de um carro na Vila Formosa, zona leste da capital paulista. Um atirador sacou uma pistola automática e efetuou cerca de dez disparos. Os dois morreram no local. Silva foi acusado como o intermediário entre Gritzbach, apontado como mandante do crime, e o executor do crime, Noé Alves Schaun. Procurada, a defesa de Silva afirmou estar profundamente inconformada com a decisão da 1ª Vara do Júri do Foro Central da Capital. Silva nega participação nas mortes.

"Com o devido respeito ao veredicto, trata-se de um julgamento que não reflete a robustez necessário do conjunto probatório exigido para uma condenação criminal", disseram em nota os advogados Aryldo de Paula, Rodrigo Fonseca e Priscila Dias Modesto, citando fragilidade de evidências, depoimentos inconsistentes e dúvidas sobre a cadeia de custódia de provas.

Silva é o único réu a responder pelo caso que ainda está vivo. Menos de um mês após o duplo assassinato, Noé foi morto e teve a cabeça decepada exposta numa praça na região do Tatuapé, também na zona leste. Ao lado da cabeça havia um bilhete, informando que ele havia sido assassinado e vilipendiado em razão da morte de Cara Preta e Sem Sangue. Gritzbach era réu no mesmo processo quando foi assassinado.

Cara Preta era apontado como líder da facção criminosa e foi citado em mais de uma investigação sobre esquemas de lavagem de dinheiro do PCC. Em 2022, por exemplo, a Polícia Civil afirmou que ele e outros 17 criminosos da facção tinham participação societária na empresa UPBus, que operava linhas de ônibus municipais na zona leste da capital paulista. Investigação do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) sobre o caso afirmou que, em 2022, Cara Preta teria passado US$ 100 milhões a Gritzbach para que ele investisse o valor em criptomoedas. O dinheiro sumiu, segundo a investigação.

O indiciamento da Polícia Civil contra Silva, Gritzbach e Noé pelo crime foi feito pela equipe chefiada pelo delegado Fabio Baena. O delegado e outros seis policiais civis foram presos e são réus por crimes como corrupção, peculato, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. Baena e outros policiais são acusados pelo Ministério Público de São Paulo por supostamente terem usado seus cargos para tumultuar a investigação da morte de Cara Preta, exigindo em troca pagamento em dinheiro e em relógios de luxo. Para a defesa, a prisão dos policiais "impõe sérias dúvidas quanto à credibilidade" dos depoimentos.

Entre as provas apresentadas contra Silva pela participação no duplo assassinato estão ligações telefônicas feitas por ele a Noé e um depósito bancário feito a ele por um primo de Gritzbach. Silva chegou a mudar suas versões apresentadas em depoimento sobre o caso, apontam documentos da ação penal na qual ele foi condenado. Gritzbach negava participação no assassinato e afirmava ser vítima de um conluio entre policiais e integrantes do PCC para incriminá-lo.

Segundo a defesa, o resultado do júri teve quatro votos a favor da condenação e três contra. Ele foi condenado a 34 anos de prisão em primeira instância, e há possibilidade de recurso.

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

Tópicos Relacionados

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais