Referenciais como Nikolai Kondratiev e Joseph Schumpeter nos ajudam a compreender as crises cíclicas do capitalismo.
O primeiro, um economista russo, estudando séries históricas e indicadores na primeira metade do século XX, identificou que após uma forte crise a economia mundial tende a apresentar um período de recuperação e crescimento. Na sequência, tende a evidenciar uma fase de recessão e torna a registrar outra situação de depressão. Essa é a base da teoria dos ciclos de Kondratiev. Segundo essa teoria, o tempo de recorrência das crises na economia mundial era de aproximadamente 50 anos.
O outro pensador, o economista austríaco Joseph Schumpeter, tomou os ciclos de Kondratiev como ponto de partida para ampliar as pesquisas sobre as crises econômicas. Schumpeter estudou as crises a partir da perspectiva dos ciclos de inovação e constatou que o tempo de recorrência dessas vem reduzindo desde a revolução industrial.
Tomando essa base teórica como referência, torna-se oportuno analisar o atual momento da economia brasileira. A crise da atual década é ainda mais severa do que a que vivemos nos anos 1980, quando o crescimento médio do PIB foi de 1,6%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para se estabelecer uma comparação, cabe ressaltar que na década de 1970, sob os efeitos do “milagre econômico”, a variação do PIB nacional foi de 8,6%. Na década de 1990, essa variação foi de 2,6%. Nos anos 2000, com o momento favorável na economia mundial, com o intenso crescimento de importantes parceiros comerciais do Brasil, como a China, e os bons ventos nos índices das commodities, o PIB registrou aumento de 3,7%.
Estimativas de mercado e do Banco Central apontam que na década atual o crescimento médio do PIB brasileiro deve ser de 0,8%, corroborando a ideia de que o país vive outra década perdida. A projeção de crescimento do PIB nacional para 2019 está em 0,99%. Se confirmado, esse será um resultado decepcionante, considerando que o Relatório Focus de 04/01/2019 previa um aumento de 2,5%.
A economia nacional continua enfrentando adversidades. Em agosto do corrente ano, o setor público acumulou déficit primário de R$ 13,4 bilhões. Apesar de a reforma da Previdência ter sido aprovada, ela foi de certa forma “desidratada” e não alcançou os Estados. A reforma tributária permanece aberta e as agendas da infraestrutura e logística continuam travadas. O desemprego se mantém elevado, são mais de 12,5 milhões de pessoas desempregadas.
Conforme demonstrado pelos teóricos que estudaram as crises cíclicas, a melhoria do quadro econômico se caracteriza como uma certeza no horizonte futuro. Considerando que estamos vivendo mais uma década perdida, as esperanças dos brasileiros se lançam para os anos 2020.