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Economia

Brasil vive outra década perdida. A esperança se lança para os anos 2020

A crise econômica da atual década é ainda mais severa do que a que vivemos nos anos 1980. Conforme teóricos, a melhoria do quadro econômico se caracteriza como uma certeza no horizonte futuro

Publicado em 27 de Novembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

27 nov 2019 às 04:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira Pablo Lira
Crises da economia mundial Crédito: Divulgação
Referenciais como Nikolai Kondratiev e Joseph Schumpeter nos ajudam a compreender as crises cíclicas do capitalismo.
O primeiro, um economista russo, estudando séries históricas e indicadores na primeira metade do século XX, identificou que após uma forte crise a economia mundial tende a apresentar um período de recuperação e crescimento. Na sequência, tende a evidenciar uma fase de recessão e torna a registrar outra situação de depressão. Essa é a base da teoria dos ciclos de Kondratiev. Segundo essa teoria, o tempo de recorrência das crises na economia mundial era de aproximadamente 50 anos.
O outro pensador, o economista austríaco Joseph Schumpeter, tomou os ciclos de Kondratiev como ponto de partida para ampliar as pesquisas sobre as crises econômicas. Schumpeter estudou as crises a partir da perspectiva dos ciclos de inovação e constatou que o tempo de recorrência dessas vem reduzindo desde a revolução industrial.
Tomando essa base teórica como referência, torna-se oportuno analisar o atual momento da economia brasileira. A crise da atual década é ainda mais severa do que a que vivemos nos anos 1980, quando o crescimento médio do PIB foi de 1,6%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para se estabelecer uma comparação, cabe ressaltar que na década de 1970, sob os efeitos do “milagre econômico”, a variação do PIB nacional foi de 8,6%. Na década de 1990, essa variação foi de 2,6%. Nos anos 2000, com o momento favorável na economia mundial, com o intenso crescimento de importantes parceiros comerciais do Brasil, como a China, e os bons ventos nos índices das commodities, o PIB registrou aumento de 3,7%.
Estimativas de mercado e do Banco Central apontam que na década atual o crescimento médio do PIB brasileiro deve ser de 0,8%, corroborando a ideia de que o país vive outra década perdida. A projeção de crescimento do PIB nacional para 2019 está em 0,99%. Se confirmado, esse será um resultado decepcionante, considerando que o Relatório Focus de 04/01/2019 previa um aumento de 2,5%.
A economia nacional continua enfrentando adversidades. Em agosto do corrente ano, o setor público acumulou déficit primário de R$ 13,4 bilhões. Apesar de a reforma da Previdência ter sido aprovada, ela foi de certa forma “desidratada” e não alcançou os Estados. A reforma tributária permanece aberta e as agendas da infraestrutura e logística continuam travadas. O desemprego se mantém elevado, são mais de 12,5 milhões de pessoas desempregadas.
Conforme demonstrado pelos teóricos que estudaram as crises cíclicas, a melhoria do quadro econômico se caracteriza como uma certeza no horizonte futuro. Considerando que estamos vivendo mais uma década perdida, as esperanças dos brasileiros se lançam para os anos 2020.

Pablo Lira

Pablo Lira Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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