O fundamento de antigas verdades ou velhos conceitos está na sua adequação para determinadas situações. Lembra-se do “não se mexe em time que está ganhando?”. Há situações em que o conceito se aplica, em outras não; para que um time continue ganhando, ele necessita fazer o que é mais fundamental para a perenização: adaptar-se. Ou seja, às vezes deve-se mexer no time exatamente para que ele continue ganhando.
Já se sabe, hoje, que a rotina cria uma zona de conforto que, de certo modo, infunde sentimento de segurança. Isso desestimula a mudança. Muitos preferem não mudar por medo de sair da rotina ou de que algo saia errado. No mundo dos negócios, muitas vezes constata-se esse comportamento que, a longo prazo, não produz resultados satisfatórios.
Uma das mudanças necessárias do universo empresarial é adquirir as competências de trabalho em equipe e de liderança de pessoas. São fatores que normalmente estão associados aos resultados de sucesso.
Esportes coletivos oferecem excelentes modelos de aprendizagem do valor do senso de equipe. Dos esportes também extraem-se oportunos aprendizados de formulações estratégicas que podem ser transpostas para a vida corporativa.
No associativismo, também verifica-se a exigência desses requisitos, que se somam à necessidade do planejamento (pensar como modelar o futuro) e à inovação (como antecipar a mudança para não ser atropelado por ela). As grandes lideranças normalmente portam esses atributos, ora inatos, ora adquiridos ao longo de processo educativo. Eles permitem ampliar a margem de segurança na tomada de decisão, antecipando cenários e prevendo desdobramentos.
A preocupação com uma gestão de qualidade recomenda atenção ao processo decisório. Na cultura associativista, isso também é importante, observando o caráter coletivo do processo e ampliando a margem de confiança nas decisões assumidas. Um dado importante da vivência no associativismo é esse exercício de equipe que previne individualismo e formulações isoladas. A ação coletiva não apenas fortalece as chances de acerto como também promove o comprometimento necessário para que as decisões sejam implementadas de modo consistente.
*O autor é presidente da Associação dos Empresários da Serra