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Rogério Alcantara

Artigo de Opinião

É presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória (CDL Vitória)
Rogério Alcantara

Varejo será cada vez mais tecnológico, mas não será menos humano

Não se trata, portanto, de escolher entre tecnologia e relacionamento. O caminho mais promissor está justamente na combinação dos dois
Rogério Alcantara
É presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória (CDL Vitória)

Publicado em 22 de Outubro de 2026 às 15:51

Publicado em 

22 out 2026 às 15:51

A tecnologia está transformando em velocidade impressionante a forma como as pessoas descobrem produtos, pesquisam preços, comparam alternativas, tomam decisões e compram. Do lado das empresas, o varejo responde com inteligência artificial, automação, análise de dados, personalização e novos canais de relacionamento.


Esse movimento é irreversível e necessário. Mas, justamente quando avançamos tanto no digital, surge um paradoxo que merece a atenção de quem trabalha com comércio: quanto mais conectadas as pessoas estão às telas, maior parece ser a valorização das conexões humanas verdadeiras. E isso abre uma enorme oportunidade para o varejo físico.


Durante muito tempo, discutimos se a loja perderia espaço para o comércio eletrônico. Hoje, talvez a questão mais importante seja outra: que papel a loja precisa assumir em uma jornada na qual comprar já pode ser feito de praticamente qualquer lugar?


Se a função do espaço físico for apenas concluir uma transação, dificilmente haverá vantagem competitiva. A loja precisa oferecer aquilo que a tela não consegue reproduzir integralmente: descoberta, experimentação, conversa, acolhimento, confiança e pertencimento. Precisa dar ao consumidor uma razão para estar ali.

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A tecnologia tem papel fundamental nessa transformação. Ela nos permite conhecer melhor o cliente, compreender hábitos, antecipar necessidades, reduzir burocracias, eliminar etapas desnecessárias e tornar a operação muito mais eficiente. Mas existe uma diferença importante entre oferecer uma jornada sem atritos e proporcionar uma experiência memorável.


Eficiência é fazer com que tudo funcione. Experiência é fazer com que aquilo tenha significado para quem compra. Por isso, algumas das ferramentas mais importantes do varejo continuam sendo surpreendentemente simples: olhar nos olhos, ouvir com atenção, fazer as perguntas certas e demonstrar interesse genuíno.


Em um mundo de respostas instantâneas, a atenção plena se tornou um ativo raro. Um vendedor que escuta antes de oferecer um produto percebe o contexto daquela compra e consegue estabelecer uma relação de confiança pode gerar um impacto que nenhum algoritmo, sozinho, consegue reproduzir.

 

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Não se trata, portanto, de escolher entre tecnologia e relacionamento. O caminho mais promissor está justamente na combinação dos dois. A tecnologia deve estar no bastidor, fornecendo dados, inteligência, agilidade e eficiência. No palco, deve estar o humano.


Quanto melhor forem utilizadas as ferramentas digitais, mais tempo e condições as equipes terão para exercer aquilo que possuem de mais valioso: capacidade de criar vínculos. E vínculos têm impacto direto no negócio. Clientes que confiam permanecem mais tempo, retornam, recomendam e tendem a ampliar sua relação com a marca.


O varejo do futuro será cada vez mais tecnológico. Mas isso não significa que será menos humano. Pelo contrário: à medida que a tecnologia se tornar acessível e presente em praticamente todas as empresas, a qualidade das relações poderá ser um dos grandes diferenciais competitivos. O digital aproxima, facilita e acelera. A experiência presencial tem a capacidade de transformar essa aproximação em vínculo.

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