Quando pensamos em prevenção do câncer de mama, a primeira imagem que vem à mente é a do autoexame, aquela palpação cuidadosa em busca de um nódulo. Além dos exames de imagem, esse cuidado é, sim, fundamental.
O câncer de mama é um dos tipos mais frequentes entre as mulheres brasileiras, com estimativa de mais de 78 mil novos casos por ano no país. Quando o diagnóstico chega cedo, as chances de cura podem ultrapassar 95%.
Mas existe algo que muitas mulheres ainda não sabem, a pele pode ser o primeiro lugar onde o câncer de mama dá sinal. Antes do caroço. Antes de qualquer alteração que ela associaria imediatamente ao seio.
Essa informação não é para assustar, é para aproximar a mulher do próprio corpo.
A pele da mama e do mamilo contam histórias. E quando ela muda de comportamento, é importante ouvir o que está dizendo. Uma vermelhidão que aparece de repente, um inchaço que não tinha razão de estar ali, a mama que fica quente, a pele que adquire aquela textura de casca de laranja. Todos esses são sinais que merecem avaliação médica imediata. Não amanhã, não na próxima consulta de rotina.
Alterações no mamilo também são importantes serem observadas, principalmente quando há assimetria entre um e outro. Uma ferida no mamilo que insiste em não cicatrizar, uma coceira persistente, uma descamação que não responde ao tratamento convencional.
Existem tipos de câncer de mama que se manifestam exatamente dessa forma, com sintomas que se parecem com uma dermatite, um fungo, uma irritação qualquer. Muitas mulheres passam semanas tratando o sintoma sem investigar a causa.
Individualmente, cada um desses sinais pode ter outras causas, seja infecções, alterações hormonais, condições benignas. Por isso, a presença de um sintoma não significa automaticamente câncer. Mas a persistência de qualquer alteração que foge do padrão habitual da própria mulher merece avaliação médica sem demora.
É por isso que o autoexame vai além da palpação. Envolve olhar, observar, conhecer o próprio corpo para perceber quando algo muda. Como dermatologista, me sinto parte importante desse processo de diagnóstico precoce. Muitas vezes sou eu quem recebe primeiro a queixa de uma "irritação que não passa" e é o olhar clínico treinado que reconhece que aquilo precisa de investigação além da pele. Esse olhar, essa escuta, esse cuidado pode salvar vidas.
Outubro Rosa nos convida a falar sobre câncer de mama, mas também nos convida a falar sobre autoconhecimento, sobre a coragem de olhar para o próprio corpo com atenção e carinho. Conheça sua pele, observe suas mamas. E quando algo parecer diferente busque ajuda.