A reinvenção da economia brasileira está em pleno curso. Após décadas de foco no governo como agente propulsor das soluções para problemas do setor privado, agora o facho de luz ilumina o setor privado como gerador de soluções para problemas do setor público.
Não é uma transição fácil, mas surpreendentemente tem sido bem assimilada pelos principais agentes econômicos e sociais de nosso país. Com certeza porque tanto o presidente do Banco Central quanto o multiministro Paulo Guedes têm competência, credibilidade e ousadia para quebrar paradigmas.
A situação em que nos encontrávamos no final do ano passado fez com que eleitores e não eleitores brasileiros mudassem o curso da história, tomando em suas mãos as rédeas do futuro. Sabiam muito bem de onde viemos e aonde chegamos. E, caso nada fosse feito, para onde iríamos. A decisão foi tentar algo novo, desafiador e diametralmente oposto. Mudar o para onde iríamos. Assim foi feito e assim está sendo conduzido de forma transparente, debatida e tecnicamente consistente, creio eu.
De repente, depois de décadas de esperança, as pessoas se deram conta que dependiam de um Estado imenso, corporativista, ineficiente, corruptível e improdutivo. Em que pese todo o poder nele depositado, a desigualdade de renda não foi debelada, o nível de desemprego tornou-se assustador, a burocracia se consolidou e o país viveu de crise em crise.
A própria democracia se fez inócua, mantendo e reconduzindo aos poderes constituídos atores de péssima performance em questões financeiras e sociais. Partidos políticos tornaram-se abrigos feudais para oportunistas e caciques políticos preocupados com a manutenção de suas dinastias. Coligações partidárias espúrias permitiram o domínio das escolhas democráticas.
Entre uma democracia com participação popular ateniense e uma representativa romana, o Brasil navegou em mares revoltos, com espasmos de calmaria. Uma calmaria ilusória. Hoje, essa democracia também busca se reinventar. Não só no Brasil, registre-se, mas no mundo.
No início do século XX, Viena era palco das formulações de consciência liberal, a escola austríaca, sendo Carl Menger um de seus principais fundadores. E Schumpeter, anos mais tarde, um de seus mais famosos membros. Ao mesmo tempo, naquele começo de século, as mesas dos cafés vienenses acomodavam Bukharin, Trotsky, Lenin e Stalin, que formulavam ideias diametralmente opostas. Assim como um eloquente jovem defendendo o Nacional Socialismo, Hitler.
A História, como se vê, tem muito a nos ensinar e quais caminhos devemos seguir. Se nosso país busca a prosperidade, de forma ainda inaudita porque nunca efetivamente tentada, o liberalismo econômico é a trilha que nos seduz.
O autor é economista e professor universitário