Gutman Uchôa de Mendonça*
Na história da vida econômica, política e social da nação brasileira, em momento algum pessoas ou grupos tentaram implantar um sistema liberal de governo, sob o chamado conjunto de ideias e doutrinas que visam assegurar a liberdade individual no campo da política, da moral, da religião, permitindo à sociedade escolher o caminho que melhor lhe convier.
O Estado liberal é utópico, impossível sua existência total. Assim como tem sido utópico o socialismo de esquerda.
No mundo, as sociedades lutam por liberdade, desde os tempos mais remotos. O caso mais recente na história foi o sistema socialista da União Soviética, que durou cerca de 70 anos e caiu por vontade do povo que, com o passar dos anos, quis se libertar da pressão moral. Já o que acontece em Cuba não é um sistema político, mas de opressão ditatorial, sem princípios ideológicos.
Estamos na iminência de experimentarmos um novo tempo, no Brasil, com o chamado liberalismo, aquele que conhecemos por livros, mas que ainda não foi testado, em virtude de dirigentes que não admitem que a sociedade conduza seu próprio destino sem a interferência do Estado.
Olavo de Carvalho, o chamado “guru” de Jair Bolsonaro no campo do aconselhamento da introdução do liberalismo político, social e econômico, admite que é um processo lento e difícil em virtude da sociedade estar viciada em ser conduzida pelo “poder econômico do Estado”, através de suas chamadas “doações” sociais, tipo o Bolsa-Família, ou a chamada complementação de renda, como acontece nos Estados Unidos e na Europa, para aqueles realmente considerados necessitados.
O caminho do liberalismo é tirar o peso do Estado sobre o indivíduo, a carga tributária e fiscal, que asfixia aqueles que querem investir. O Estado, no entanto, tem medo que ele fique rico, quando o ideal seria que todo mundo fosse rico, e não que todo mundo fosse pobre.
O presidente Jair Bolsonaro promete desmontar a burocracia. Não adianta o Estado ou o município dizer que o prazo máximo para um registro de uma nova empresa seja de oito dias, quando o empresário, às vezes, é obrigado a desistir do empreendimento porque sua paciência se esgota enquanto ainda luta pela aprovação do empreendimento.
Vamos experimentar o liberalismo. Tomara que dê certo...
* O autor é jornalista