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Sandro Roberto Campos

Artigo de Opinião

É especialista em Segurança Pública
Sandro Roberto Campos

Tiros e balas perdidas: a selva contemporânea já é o "novo normal"

Não adiantará criticar as forças policiais tão somente. O que o policial encontra nas vielas é cruel e longe de uma solução. Não se trata aqui de direita ou esquerda, mas da sobrevivência de uma sociedade inteira
Sandro Roberto Campos
É especialista em Segurança Pública

Públicado em 

03 jul 2023 às 15:40
Pelo menos três edifícios ficaram com as marcas da violência que se instaurou neste domingo (25) em Vitória
Troca de tiros em Gurigica atingiu prédios em Bento Ferreira Crédito: Leitor | A Gazeta
Impressiona a quantidade de notícias de tiroteios e "balas perdidas". Algumas matérias parecem focar maior preocupação se os disparos partiram da PM.
O título do filme "não olhe para cima" da Netflix traz à baila que a verdade não importa e sim imagens e abstrações. É inegável que a PM prende muito e apreende muitas drogas e armas de fogo ilegais. Então por que ainda não estamos em paz?
Por um lado, é necessário discutir as responsabilizações criminais, sim. O artigo 14, parágrafo único do Estatuto do Desarmamento, por exemplo, preceitua fianças aos portes ilegais de armas. Se as armas de fogo são os instrumentos pelos quais mais se cometem homicídios, então por que não repensar maior responsabilização criminal para esse sentido? As solturas são recorrentes e esse é um dos ingredientes cabais dos tiroteios. Muitos já foram presos e retornam à via pública e repetem continuamente esse interminável looping.
Por outro lado, políticas públicas em educação, saúde, renda, assistência social, moradia e projetos sociais são fundamentais, mas considerando o longo prazo e continuamente monitoradas visando apurar as transformações concretamente ocorridas.
Não seria o caso de fundirmos ambas as visões? Não adianta pensarmos para o aqui e o agora somente com repressão policial, porém, não podemos apenas fixar nossos olhares para um horizonte meramente longínquo. Ambas as visões devem interagir. São necessárias ações de curto, médio e longo prazo admitindo que o atual cenário não se resolverá da noite para o dia!
O proibicionismo das drogas ilícitas tem sido atacado como fórmula para reduzir os confrontos policiais e os custos decorrentes. Não seria o mesmo que liberarmos quaisquer tipos penais achando que teríamos altos custos? E o que será da sociedade ao fomentarmos uma cultura de uso libertário de entorpecentes, seria de fato a solução? O que seria um filho seu submerso nos guetos da perdição em dependência química?
Penalizar o racismo é justo e necessário. Por que não penalizar com a mesma veemência quem esteja incorrendo em porte ilegal de armas de fogo ou o tráfico ilícito de drogas? Haveria um romantismo perverso e uma defesa declarada dessas práticas nefastas? As inversões no Brasil originam verdadeiros paraísos do crime. A orquestra continua, os leigos são manipulados e o asteroide é uma ilusão. Até que, um dia, não olhar para cima a tempo necessário signifique a ruína.
Não adiantará criticar as forças policiais tão somente. É preciso estar nas vielas para compreender a realidade de verdade. O que o policial encontra é cruel e longe de uma solução. Não se trata aqui de direita ou esquerda, mas da sobrevivência de uma sociedade inteira. É inadmissível que se prospere a paz sob esse manto permissivo legal: o sistema de responsabilização penal brasileiro é caótico e subversivo. A selva contemporânea já é o "novo normal", e "não olhe para cima".
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