Morreu no dia 2 deste mês o ex-prefeito de Vitória e ex-deputado estadual Setembrino Pelissari, vítima de um fulminante infarto. Morreu em casa, da forma doce e mansa como viveu os seus últimos anos, e na presença da mulher Andrea, de sua filha Priscyla e do neto Luca.
Desapareceu um grande capixaba. Na verdade, um gigante. Nascido na região de Ibiraçu, em 1928, sua mãe era da família Del Caro, que foi responsável por sua formação política. Eles eram ligados aos integralistas e de formação rigorosa, o que o influenciou por toda a sua vida. Foi o rigor em pessoa, na ética e na moral elevada. Nos princípios da lealdade e da boa política.
Muito jovem, ainda quando estudava no Colégio Estadual, começou a militância política antigetulista, o que o levou à velha UDN – União Democrática Nacional - , do agitado Carlos Lacerda, seu grande líder nacional. Mas seu grande momento se deu quando se juntou a um pequeno grupo para apoiar e levantar a candidatura de Francisco Lacerda de Aguiar, o Chiquinho, ao governo do Estado em 1954, formando a Coligação Democrática.
Esse grupo que inventou a candidatura de Chiquinho também inventou a política popular em terras capixabas. O chamado populismo, que transformou os comícios em festas, as eleições em aproximação com povo em infindáveis caminhadas, apertos de mão, tapa nas costas, cafezinhos na periferia. Esse estilo de relacionamento com as massas era disruptivo em relação à prática elitista e distante dos velhos coronéis. Era a cara de Setembrino, sorriso aberto, palavras cordiais, sempre uma atenção a dar aos eleitores e aos amigos. Na militância da Coligação Democrática, foi três vezes deputado estadual. E ainda reelegeram o governador Chiquinho em 1962.
Mas seu grande momento foi como prefeito, por duas vezes, em 1967 e em 1974. Na primeira vez, escolhido por Christiano Dias Lopes – o grande estadista capixaba do século XX –, revolucionou a gestão da Capital, seja nas galerias que fez por todo o Centro de Vitória, seja pelos critérios modernos de gestão, seja pela meritocracia que instituiu. Foi ele que tirou a gestão da Capital dos critérios dos coronéis para trazê-la à modernidade da qual nunca mais se afastou.
Um grande personagem, um grande político e, acima de tudo, um homem de bem. Um patriota, como muitos os de sua geração, e como não se faz mais no Brasil de hoje. Homem de fibra e de coração. Tenho muito orgulho de ter convivido com ele. De ter aprendido com ele a se orgulhar cada vez mais do Espírito Santo e das lideranças que ele produziu.
*O autor é cientista político