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Daniel Escobar

Artigo de Opinião

É médico e coordenador do serviço de Neurologia do Hospital Unimed Vitória
Daniel Escobar

Salve minutos, salve vidas: os pilares da jornada do paciente com AVC

Dia 29 de outubro é o Dia Mundial do AVC: para o paciente ter a chance de receber uma terapia que modifique a evolução da doença, é necessária uma sequência de eventos sincronizados
Daniel Escobar
É médico e coordenador do serviço de Neurologia do Hospital Unimed Vitória

Publicado em 28 de Outubro de 2021 às 14:00

Publicado em 

28 out 2021 às 14:00
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda principal causa de morte no Brasil e no mundo. E as estatísticas não são favoráveis: 70% dos pacientes acometidos pela doença não retornam ao trabalho. Por essa razão, o AVC também é a principal causa de incapacidade no mundo. Proporcionar um atendimento rápido e eficaz aos pacientes com AVC é uma importante política de saúde pública.
Todos os anos, no dia 29 de outubro, nos mobilizamos para promover a conscientização no Dia Mundial do AVC. Em 2021 o tema da campanha é “Minutos podem salvar vidas”. Sabemos que, para o paciente ter a chance de receber uma terapia que modifique a evolução da doença e ganhar tempo precioso em sua vida, é necessário que uma sequência de eventos sincronizados seja colocada em ação.
O primeiro e mais difícil pilar na organização de um ecossistema adequado para atender o paciente com AVC é levar à população conhecimentos sobre como reconhecer os sinais da doença. Isso seria possível com um extenso e contínuo programa de educação direcionado a todas as faixas etárias e a todos os níveis socioculturais da população, envolvendo todos os possíveis meios de comunicação.
Pacientes, vindos de Manaus, são retirados do avião no Aeroporto de Vitória
Um dos pilares é garantir a existência de um serviço móvel de urgência capaz de reconhecer os sintomas do AVC e direcionar o paciente para um centro capacitado Crédito: Fernando Madeira
Temos que compreender que, quando uma pessoa apresenta, de forma súbita, uma perda de força em um dos lados do corpo, fala “enrolada” ou boca torta, estamos diante de uma emergência médica e que a conduta nos próximos minutos vai impactar o resto da vida desse paciente. Mas, afinal, o que deve ser feito em uma situação como essa?
A pergunta nos leva ao próximo pilar do atendimento ao AVC, que é garantir a existência de um serviço móvel de urgência capaz de reconhecer esses sintomas e direcionar o paciente para um centro capacitado. No Brasil, temos o Samu e os serviços de atendimento móveis das operadoras de saúde. Cabe a nós, neurologistas, auxiliar no aprimoramento dessas equipes.
O terceiro pilar é a organização de uma rede intra-hospitalar capacitada para realizar todo o cuidado com esses pacientes. Nesses hospitais o fluxo de atendimento ao paciente com AVC deve funcionar como um “Pit-Stop de Fórmula 1”. As condutas devem ser precisas e ocorrer sincronizadas, desde o recepcionista da porta do hospital, passando pela equipe de enfermagem do pronto-socorro até o neurologista da unidade de AVC. Se houver uma falha em qualquer um dos pontos desse trajeto, todos perdem, e o principal prejudicado é o paciente.
Durante um AVC, a cada minuto 1,9 milhão de neurônios são perdidos, o que corresponde a 3,1 semanas de envelhecimento nessa fração de tempo. A perda de neurônios que ocorre em uma hora pode ser similar ao envelhecimento de 3,6 anos de vida!
Felizmente, existem terapias medicamentosas e cirúrgicas capazes de reverter os danos, salvando os neurônios de serem permanentemente lesados. Atualmente, podemos selecionar pacientes para tratamento com até 24 horas do início dos sintomas e, dessa forma, estamos tratando cada vez mais pacientes e devolvendo tempo precioso a essas vidas.
O AVC é uma emergência médica, não fique em casa, procure um hospital capacitado.
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