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Saúde no cotidiano

Longa jornada de trabalho eleva risco de morte por AVC, aponta OMS

A crise do novo coronavírus acelerou esse processo: com o home office virando norma em diversos setores, os limites entre casa e trabalho se diluíram

Publicado em 17 de Maio de 2021 às 15:22

Agência Estado

Publicado em 

17 mai 2021 às 15:22
Empresas devem mantar home office permanente
Empresas devem mantar home office permanente Crédito: Pixabay
Longas jornadas de trabalho - com carga igual ou superior a 55 horas semanais - estão associadas a um risco 35% maior de mortes por acidente vascular cerebral e 17% maior por doenças cardíacas, aponta estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta segunda-feira, 17. Os dados representam 745.194 mortes por doenças cardiovasculares em 2016, um aumento de 29% desde 2000. Hoje, essa tendência é acentuada pela pandemia de covid-19 e pelo trabalho remoto.
A pesquisa, publicada na revista científica Environment International, reúne dados de cerca de 190 países levantados entre 2000 e 2016. O cálculo foi feito a partir de estimativas da população exposta a longas jornadas de trabalho e riscos relativos à exposição a doenças cardiovasculares, quando comparados a jornadas de trabalho normais, isto é, entre 35 e 40 horas por semana. A população exposta foi modelada usando dados de 2.324 pesquisas transversais e 1.742 conjuntos de dados de pesquisas trimestrais.
De acordo com o estudo, em 2016, 488 milhões de pessoas em todo o mundo foram expostas a mais de 55 horas de trabalho semanais - quase 9% da população global. A crise do novo coronavírus acelerou esse processo: com o home office virando norma em diversos setores, os limites entre casa e trabalho se diluíram, e cargas horárias extenuantes se tornaram mais comuns.
Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, é necessário regular e prevenir. "Governos, empregadores e trabalhadores precisam trabalhar juntos para chegar a um acordo sobre limites para proteger a saúde dos trabalhadores", alertou, em nota.
O estudo apontou que 72% das mortes ocorreram entre homens. A maioria dos óbitos registrados também se deu com pessoas entre 60 a 79 anos que trabalharam por longas jornadas nas décadas anteriores, entre os 45 e 74 anos de idade. A pesquisa ainda indicou maior impacto em pessoas que vivem nas regiões do Pacífico Ocidental e do Sudeste Asiático.
Longas jornadas de trabalho já aparecem como o fator de risco que mais causa doenças vinculadas ao trabalho, representando um terço do total.
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