A palavra autonomia, etimologicamente, deriva do grego autonomía e, de acordo com o dicionário Michaelis, é a capacidade de autogovernar-se, dirigir-se por vontade própria, tomar decisões com liberdade.
Na primeira infância, até os 6 anos de idade, fase em que a criança está em pleno desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, a autonomia é construída com base nas experiências diárias e ocorre de forma individual e gradativa.
Piaget, Vygotsky e Wallon, três dos maiores teóricos da aprendizagem, compartilham que o sujeito constrói seu conhecimento na interação com o meio. Para Piaget, a autonomia surge com a maturação biológica: a criança acomoda a informação para alcançar a aprendizagem; Vygotsky acredita que a criança aprende nas interações sociais e o adulto tem papel fundamental na mediação entre o que ela sabe fazer e o que vai aprender; e Wallon destaca que a criança precisa sentir-se acolhida para experimentar, errar e tentar novamente.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), orientadora da Educação no Brasil, reforça essa perspectiva ao reconhecer a criança como sujeito ativo, que aprende por brincadeiras, interações e experiências.
Organizar uma rotina previsível, permitir que a criança tente realizar tarefas antes de receber ajuda, incentivar a resolução de pequenos desafios e oferecer escolhas adequadas à idade são formas de desenvolver a autonomia sem pular etapas do desenvolvimento. Por outro lado, exigir autonomia sem que a criança esteja preparada pode gerar bloqueios, insegurança, medo de errar e sentimento de fracasso.
A autonomia na criança se desenvolve de acordo com seu desenvolvimento biológico, cognitivo e emocional. Por volta de 2 ou 3 anos, a criança já pode ajudar a guardar os brinquedos, alimentar-se com supervisão, vestir roupas simples e escolher entre duas opções apresentadas pelo adulto.
Com 4 ou 5 anos, ela consegue organizar seus materiais, ajudar com pequenas tarefas e expressar necessidades com clareza. Já com 6 ou 7 anos, consegue planejar tarefas simples, realizar higiene com supervisão, seguir combinados com compreensão e resolver pequenos problemas cotidianos.
A parceria família-escola é o maior facilitador na construção da autonomia na criança. A escola cria oportunidades para que a criança faça escolhas, aprenda a cooperar, participe das decisões da rotina, resolva pequenos conflitos, expresse emoções e desenvolva responsabilidades compatíveis com sua idade.
A família, por sua vez, fortalece esse processo quando permite que a criança tente realizar uma tarefa antes de ajudar, ensina em vez de fazer por ela, a envolve nas atividades da casa, valoriza o esforço e não apenas o resultado, permite que enfrente desafios seguros e acolha sentimentos e opiniões.
Quando escola e família compartilham orientações semelhantes, a criança recebe mensagens coerentes e desenvolve maior segurança para agir com autonomia.
Equilibrar proteção e oportunidade é a chave para que a criança construa confiança em si mesma, responsabilidade e capacidade de agir de forma cada vez mais autônoma, preparando-a para enfrentar os desafios que irão surgir ao longo da vida.