Há mais de duas décadas, a saúde pública do Espírito Santo ganhava espaço no noticiário com uma rotina de pacientes nos corredores dos hospitais e greves no setor, que prejudicavam os serviços à população. O Estado tinha uma das piores coberturas da atenção primária do país: somente 58%. Esse tempo passou, felizmente, graças a uma transformação que foi estruturada em dois pilares: expansão da infraestrutura física e gestão inteligente, baseada em dados, sempre considerando o equilíbrio fiscal.
No campo da infraestrutura, o Estado promoveu nos últimos anos uma ampliação significativa da capacidade instalada: o número de leitos no SUS saltou de 5,8 mil, em 2019, para mais de 8 mil atualmente, considerando os novos investimentos. A expansão vem sendo reforçada por investimentos estruturantes como o novo Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, com inauguração prevista para este ano; o Hospital Geral de Cariacica, previsto para 2027, e o novo Hospital Silvio Avidos, em Colatina, já em fase de obras.
Na atenção básica, a expansão também foi expressiva: foram implantadas 108 novas Unidades Básicas de Saúde nos 78 municípios, fortalecendo a porta de entrada do sistema. Mais do que ampliar estruturas físicas, houve um avanço qualitativo relevante: a cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) saltou de 58% para 97%, garantindo que praticamente toda a população tenha acesso a equipes de referência focadas em prevenção e cuidado contínuo.
O segundo pilar da transformação, a gestão eficiente, foi igualmente determinante. O Estado superou um modelo de regulação fragmentado, baseado em e-mails, telefonemas e controles manuais, e passou a operar com sistemas integrados e dinâmicos, permitindo visão em tempo real da relação entre demanda e oferta de serviços. Trata-se de uma mudança silenciosa, porém estruturante, que elevou significativamente a eficiência do sistema.
Essa lógica de gestão orientada a resultados também se reflete em programas como o Opera ES, que reorganizou o uso da infraestrutura existente ao aproveitar centros cirúrgicos antes ociosos. O resultado é expressivo: o número de cirurgias eletivas saltou de cerca de 25 mil, em 2018, para mais de 170 mil em 2025 – mais de 6 vezes mais.
Outro avanço relevante está na incorporação da tecnologia como ferramenta de acesso. A implantação da teleconsulta permitiu aproximar especialistas de pacientes em todas as regiões do Estado, sem necessidade de deslocamento físico. Em 2025, foram realizadas mais de 45 mil consultas em 18 especialidades, com cobertura nos 78 municípios capixabas.
No campo da inovação e da formação profissional, a criação do ICEPi – Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde representou uma resposta estratégica à escassez de médicos na atenção primária, especialmente após o fim de programas federais.
Com programas de residência e especialização em diversas áreas, o instituto passou a formar e distribuir profissionais para todo o território estadual, fortalecendo a sustentabilidade do sistema.
A ampliação do Samu – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência também merece destaque. O Espírito Santo saiu de uma cobertura de 28% para 100% dos municípios, tornando-se o único Estado brasileiro com atendimento universalizado nesse serviço.
Esses avanços todos somente foram viabilizados por uma premissa essencial: o equilíbrio fiscal. A Constituição estabelece um mínimo de 12% de investimento em saúde, mas o Espírito Santo ultrapassa 16%, destinando à área o maior orçamento entre todas as secretarias. Esse dado evidencia o fundamento do planejamento público: não há política social sustentável sem responsabilidade fiscal.
O que se observa, portanto, é a consolidação de um modelo de gestão pública que integra planejamento estratégico, disciplina fiscal, inovação e foco em resultados. Mais do que ampliar recursos, trata-se de organizar o Estado para transformar investimento em entrega efetiva à população.
A experiência capixaba demonstra que é possível superar desafios históricos com gestão moderna, humana e orientada por evidências. A saúde deixa de ser apenas um indicador de política social e passa a ser também um reflexo da capacidade do Estado de planejar, executar e entregar.
O desafio, daqui para frente, é preservar e aprofundar esse modelo, garantindo sua continuidade e evolução. Porque, no fim, planejar bem é cuidar melhor, garantindo dignidade para todos.