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Marcus Freitas Alvarenga

Artigo de Opinião

É advogado especialista em direito empresarial e trabalhista, sócio do CMA Advogados
Marcus Freitas Alvarenga

O recado é claro: discurso genérico sobre saúde mental não basta com nova NR-1

A nova NR-1 deve ser vista menos como uma exigência burocrática e mais como uma oportunidade de prevenção
Marcus Freitas Alvarenga
É advogado especialista em direito empresarial e trabalhista, sócio do CMA Advogados

Publicado em 26 de Maio de 2026 às 15:15

Publicado em 

26 mai 2026 às 15:15

A saúde mental no trabalho deixou de ser apenas um tema de bem-estar corporativo. Com a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor nesta terça-feira (26), as empresas passam a ter o dever de incluir os riscos psicossociais na gestão de segurança e saúde ocupacional.


Na prática, isso significa que o ambiente de trabalho deverá ser observado de forma mais ampla. Não se trata apenas de avaliar máquinas, equipamentos, produtos químicos ou risco de acidentes. A empresa também precisará olhar para a forma como o trabalho é organizado, distribuído e cobrado.


Sobrecarga de tarefas, metas incompatíveis com a realidade, assédio, falhas de comunicação, isolamento, falta de apoio da liderança, jornadas mal planejadas e pressão excessiva são exemplos de situações que podem afetar a saúde mental, física e social dos trabalhadores.

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A mudança, contudo, não significa que as empresas deverão diagnosticar seus empregados ou transformar o local de trabalho em consultório psicológico. O objetivo da norma é outro: identificar fatores relacionados ao próprio trabalho que possam gerar adoecimento, avaliar esses riscos, adotar medidas de prevenção e acompanhar se elas estão funcionando.


Esse cuidado passa a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e o Programa de Gerenciamento de Riscos, instrumentos já previstos na rotina de segurança e saúde do trabalho. Assim, os riscos psicossociais deixam de ser tratados como uma preocupação paralela e passam a fazer parte da gestão preventiva das empresas.


Para o empregador, o recado é claro: campanhas pontuais, palestras isoladas ou discursos genéricos sobre saúde mental não bastam. Será necessário documentar medidas, ouvir trabalhadores, revisar rotinas, orientar lideranças, melhorar canais de comunicação e agir diante de sinais de sobrecarga, assédio ou desorganização do trabalho.

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Para os trabalhadores, a atualização representa um avanço importante. Ela reconhece que o adoecimento mental nem sempre decorre de fatores individuais. Muitas vezes, ele também pode estar ligado ao modo como a atividade profissional é estruturada e conduzida.


A nova NR-1 deve ser vista menos como uma exigência burocrática e mais como uma oportunidade de prevenção. Empresas que levam o tema a sério tendem a reduzir afastamentos, conflitos internos, passivos trabalhistas e perda de produtividade, além de fortalecer relações de trabalho mais seguras e sustentáveis.


Com a entrada em vigor da nova regra, as empresas que ainda não se adequaram precisam tratar o tema com prioridade. Mais do que cumprir uma norma, adaptar-se à NR-1 significa demonstrar maturidade na gestão de pessoas e compromisso real com a saúde no ambiente de trabalho.

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