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Monica Amorim

Artigo de Opinião

É doutora em Oceanografia Ambiental e gerente de Planejamento e Pesquisa da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh)
Monica Amorim

O que um ditado nordestino tem a nos ensinar sobre a crise hídrica

É importante compreendermos que crises hídricas não estão relacionadas apenas a chuvas e mudanças climáticas, mas também a uma questão histórica e cultural ainda arraigada no imaginário coletivo
Monica Amorim
É doutora em Oceanografia Ambiental e gerente de Planejamento e Pesquisa da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh)

Publicado em 17 de Outubro de 2021 às 02:00

Publicado em 

17 out 2021 às 02:00
Imagens de drone do Rio Santa Maria
Imagens de drone do Rio Doce Crédito: Wando Fagundes
A primeira coisa que a chuva lava é a memória da seca, diz uma máxima nordestina. O ditado pode parecer desconhecido àqueles brasileiros desacostumados à falta d’água, mas se aproxima da realidade, agora, de parte do país.
Mal havíamos nos recuperado da última crise hídrica quando voltamos a experimentar um período de escassez de água no Brasil e, em menor grau, no Espírito Santo. Aos poucos, as chuvas estão voltando e pode ser que esqueçamos, novamente, do que vivemos poucos meses ou anos atrás.
É importante compreendermos que crises hídricas não estão relacionadas apenas a chuvas e mudanças climáticas, mas também a uma questão histórica e cultural ainda arraigada no imaginário coletivo: a ideia de que a água é um recurso abundante e infinito, que não demanda preocupação.
Aprendemos no ensino fundamental que o Brasil é um país rico em água quando comparado a outros territórios. Contudo, o fator natural não pode mais justificar, sozinho, a recorrente falta de atenção ao tema, como se secas e inundações nos pegassem sempre de surpresa.
É fundamental reconhecermos a importância da gestão de recursos hídricos subsidiada por dados consistentes. Do ponto de vista político, social, econômico e ambiental, os gestores privados e públicos precisam olhar para a questão e entender que estamos lidando com eventos cada vez mais periódicos e contumazes, para os quais precisamos nos planejar.
Quando pensamos em planejamento dos recursos hídricos, devemos lembrar dos Planos de Recursos Hídricos, instrumentos de gestão da água já elaborados em grande parte dos estados e em muitas bacias hidrográficas brasileiras. O Espírito Santo, por exemplo, tem seu Plano Estadual de Recursos Hídricos (Perh/ES) e Planos em todas as bacias hidrográficas.
Por aqui, todos os planos foram elaborados pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), e os últimos a ficarem prontos foram feitos a partir de uma metodologia inovadora, que reduziu custos e melhorou a participação social, com a parceria entre Estado e Comitês de Bacias Hidrográficas, representantes da sociedade e dos usuários de água das bacias.
Os Planos de Recursos Hídricos do Espírito Santo incluem ações de capacitação, aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão, melhoria da eficiência no uso da água, reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.
Numa estratégia de vanguarda, o governo do Estado também acrescentou manuais operativos para tirar os planos do “papel”, cuja responsabilidade é das instituições do Executivo, usuários de água e dos entes do sistema de gestão, conforme prevê a legislação brasileira, que confere à água uma gestão descentralizada e participativa.
No contexto atual, é fundamental olharmos para os planos já concluídos e trabalharmos, juntos, para colocá-los em prática. Sem esquecer que devemos prevenir e diminuir os efeitos de outros eventos da mesma natureza, já que a chuva sempre vai lavar a memória da seca, como diz o ditado nordestino, mas, nem sempre, apagar seus impactos.
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