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Ricardo Gava

Artigo de Opinião

É diretor da Gava Crédito Imobiliário e diretor da Ademi Secovi ES
Ricardo Gava

O que o valor de R$ 1 trilhão em crédito imobiliário diz sobre o Brasil

Quando o crédito imobiliário cresce, o mercado se movimenta junto. E talvez estejamos entrando justamente em um momento importante desse ciclo
Ricardo Gava
É diretor da Gava Crédito Imobiliário e diretor da Ademi Secovi ES

Publicado em 18 de Setembro de 2026 às 10:00

Publicado em 

18 set 2026 às 10:00
A carteira de crédito imobiliário da Caixa ultrapassou R$ 1 trilhão. A marca reforça o papel histórico e social da instituição como principal agente da habitação no Brasil, especialmente na ampliação do acesso à moradia e no enfrentamento de um dos grandes desafios do país: o déficit habitacional. 

Mas também ajuda a dimensionar algo maior: a importância que o crédito imobiliário ganhou na vida das pessoas, no mercado imobiliário e na economia brasileira.

Quando alguém financia um imóvel, não está acontecendo apenas uma compra entre quem vende e quem compra.

Aquele dinheiro movimenta construtoras, incorporadoras, corretores, fornecedores, mão de obra, comércio e serviços. Ajuda novos projetos a saírem do papel e bairros e regiões inteiras a se desenvolverem.

Por isso, quando o crédito imobiliário cresce, o mercado se movimenta junto. E talvez estejamos entrando justamente em um momento importante desse ciclo.

A Selic acaba de cair novamente, agora para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo.

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E uma pergunta que tenho ouvido bastante é: se os juros estão caindo, não seria melhor esperar mais um pouco para comprar um imóvel?

À primeira vista, parece fazer sentido. Mas vamos aos fatos.

Primeiro porque a Selic e as taxas do financiamento imobiliário não andam de mãos dadas. Quando uma cai, a outra não precisa cair imediatamente — e muito menos na mesma proporção.

A explicação é mais simples do que parece.

O dinheiro que os bancos usam para financiar imóveis vem de lugares diferentes e cada um tem um custo. A poupança é uma dessas fontes, mas não é a única. Há também recursos do FGTS e outras formas que os bancos utilizam para conseguir dinheiro e emprestá-lo por muitos anos.

É por isso, inclusive, que podemos encontrar hoje financiamentos imobiliários com taxas abaixo da própria Selic.

A queda da Selic ajuda e, se continuar, tende a abrir espaço para condições melhores no financiamento. Só que isso leva algum tempo para chegar ao consumidor.

E é justamente aqui que aparece uma questão interessante para quem está pensando em comprar.

Enquanto você espera os juros caírem, o preço do imóvel não fica esperando junto.

Quando as taxas do financiamento caem, as prestações tendem a ficar menores e a capacidade de financiamento aumenta. Na prática, mais pessoas passam a conseguir comprar.

Imagem BBC Brasil
Crédito imobiliário Getty Images
E, quando mais compradores entram no mercado, aumenta a procura pelos imóveis.

Imagine um apartamento que hoje tem dois interessados. Com juros menores, amanhã ele pode ter cinco. Para o vendedor, muda tudo. Com mais gente querendo comprar, há menos motivo para dar desconto e mais facilidade para sustentar um preço maior.

Por isso, esperar juros menores não significa necessariamente fazer um negócio melhor.

Se você encontrou hoje um bom imóvel, conseguiu negociar bem e a prestação cabe com segurança no seu orçamento, pode fazer mais sentido aproveitar a oportunidade do que tentar adivinhar qual será o melhor momento dos juros.

Principalmente porque existe uma diferença importante entre o imóvel e o financiamento.

O preço que você paga pelo imóvel é aquele. Já a taxa do financiamento pode mudar ao longo do caminho.

Um financiamento imobiliário normalmente acompanha uma família por muitos anos. Mas isso não significa que a taxa contratada hoje precise acompanhá-la pelo mesmo período.

Se daqui a algum tempo as condições melhorarem e os bancos estiverem oferecendo juros menores, existe a possibilidade de renegociar ou fazer a portabilidade do financiamento para outra instituição.

Em outras palavras, você pode comprar bem hoje e melhorar o financiamento amanhã.

O que você não consegue fazer é voltar no tempo para comprar pelo preço de hoje um imóvel que valorizou ou recuperar uma boa oportunidade que deixou passar.

Talvez essa seja uma das principais mensagens por trás da marca de R$ 1 trilhão.

Crédito imobiliário não movimenta apenas dinheiro. Ele coloca compradores no mercado, permite que novos empreendimentos sejam construídos, gera empregos e ajuda a transformar as cidades.

E, se o movimento de queda dos juros continuar, essa engrenagem pode ganhar ainda mais força.

Por isso, para quem está pensando em comprar um imóvel, acompanhar a Selic é importante. Mas ela não deveria ser a única razão para comprar ou deixar de comprar.

A pergunta mais importante continua sendo muito mais simples:

É um bom imóvel? A prestação cabe no meu orçamento? Estou pagando um valor justo?

Se as três respostas forem positivas, esperar apenas por juros menores pode significar encontrar uma taxa melhor lá na frente — mas pagar mais caro pelo imóvel.

Afinal, ao longo de muitos anos, os juros podem mudar várias vezes.
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