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É advogada trabalhista

Nova regra do trabalho aos domingos e feriados fortalece direitos e traz equilíbrio

O tempo de descanso deixa de ser uma variável secundária e passa a integrar a própria lógica de organização do trabalho

  • Nathalia Cruz É advogada trabalhista
Publicado em 15/03/2026 às 10h00

nova regra que condiciona o funcionamento de empresas aos domingos e feriados à negociação coletiva representa um avanço relevante para a organização das relações de trabalho no país. Regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a medida recoloca o diálogo social no centro das decisões que impactam diretamente a vida de trabalhadores e empregadores, promovendo um modelo mais equilibrado, previsível e sustentável.

Por muito tempo, o funcionamento automático de atividades econômicas em datas tradicionalmente destinadas ao descanso foi tratado como uma necessidade incontestável da dinâmica produtiva. No entanto, essa lógica frequentemente ignorava os efeitos concretos sobre a saúde, a vida familiar e a organização pessoal do trabalhador.

A nova norma não proíbe o trabalho nesses dias, mas estabelece que ele deve ser resultado de acordo entre as partes, por meio de convenções coletivas firmadas com participação sindical.

Calendário, datas, mês, tempo
Domingos no calendário. Crédito: Freepik

Essa mudança tem um significado importante: negociar não é dificultar a atividade econômica, mas qualificá-la. Ao exigir que jornada, remuneração adicional e folgas compensatórias sejam pactuadas coletivamente, a regra reconhece que o trabalho em domingos e feriados envolve impactos sociais que precisam ser considerados de forma responsável. O tempo de descanso deixa de ser uma variável secundária e passa a integrar a própria lógica de organização do trabalho.

Outro aspecto relevante é o fortalecimento da segurança jurídica. Quando condições de funcionamento são previamente negociadas, diminuem-se conflitos trabalhistas e interpretações divergentes sobre direitos e deveres. A previsibilidade beneficia trabalhadores, que passam a conhecer com clareza suas garantias, e também empresas, que reduzem riscos de passivos judiciais e podem planejar suas operações com maior estabilidade.

Além disso, a medida contribui para valorizar a negociação coletiva como instrumento democrático de regulação das relações de trabalho. Em um país marcado por desigualdades estruturais como o Brasil, o diálogo institucionalizado entre categorias profissionais e setores econômicos é essencial para construir soluções equilibradas e adequadas às especificidades de cada atividade produtiva.

A experiência brasileira demonstra que modelos baseados exclusivamente na flexibilização tendem a produzir ganhos imediatos, mas geram custos sociais elevados no médio e longo prazo. Jornadas desorganizadas, ausência de descanso adequado e indefinição sobre compensações afetam a saúde física e mental dos trabalhadores, impactando inclusive a produtividade e a qualidade do serviço prestado.

Sob essa perspectiva, a nova regulamentação representa um ajuste civilizatório. O crescimento econômico não pode ser dissociado da proteção social, nem o aumento da atividade produtiva deve ocorrer à custa da dignidade do trabalho. Ao exigir negociação para o funcionamento em datas sensíveis, a norma reafirma que desenvolvimento sustentável pressupõe equilíbrio entre eficiência econômica e respeito aos direitos fundamentais.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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