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José Antonio Martinuzzo

Artigo de Opinião

Longa duração

Investir em projetos é uma das melhores formas de se viver os dias atuais

O futuro é expectativa ansiosa, posto que absolutamente imprevisível dada a liquidez que derrete a possibilidade de se projetarem caminhos de longo curso
José Antonio Martinuzzo

Publicado em 29 de Março de 2020 às 14:00

Publicado em 

29 mar 2020 às 14:00
Visão a longo prazo
Visão a longo prazo Crédito: Divulgação
“Que é, pois, o tempo?” Santo Agostinho dirigiu a pergunta a Deus e, por inspiração alegadamente divina, concluiu: “O que agora transparece é que nem há tempos futuros nem pretéritos. É impróprio afirmar que os tempos são três: pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer que os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das presentes, presente das futuras. Existem, pois, esses três tempos na minha mente que não vejo em outra parte: lembrança presente das coisas passadas, visão presente das coisas presentes e esperança presente das coisas futuras”.
O tempo, como se percebe em Agostinho, é pura experiência da duração – fruição de uma só temporalidade, o presente. Nesta era de aceleração capitalística, cadenciamos pelo instantaneísmo, regime em que o presente se fatia em segundos, ou menos ainda. Assim, o passado se avoluma de tal forma que se coloca inescrutável, além de se constituir de experiências ocas, porque vividas sem a atenção necessária à formação da memória. O futuro é expectativa ansiosa, posto que absolutamente imprevisível dada a liquidez que derrete a possibilidade de se projetarem caminhos de longo curso.
Ocorre que no meio do caminho tinha um vírus, que se tornou o senhor atual do tempo. Além de marcar uma hora planetária de horror e badaladas de morte, oferece, por vias tortas, uma experiência de presente como há muito não tínhamos. Em reclusão, o presente passou a ter uma duração gigantesca. O que era atualizado em segundos, fatiado em suspiros de experiência fugaz, produzindo excesso de passado e ansiedade de futuro, agora rasteja por meio das horas lentas da quarentena.
O que fazer com tanto presente? Não mate os dias, contando minutos como se enfileirados estivessem rumo à guilhotina dos ponteiros que degolam as horas. Investir em projetos é uma das melhores formas de se viver o presente. As redes digitais criaram um novo ambiente para exercitarmos nossos sentidos, ainda que não todos, o ciberterritório. Viva as potencialidades da virtualidade. Organize uma rotina, pois ela é o que simula um cosmo dentro do caos existencial que governa o real, acalmando os ânimos com a impressão de alguma previsibilidade e controle sobre a vida.
Como bem sugeriu Santo Agostinho, do tempo só resta mesmo a sua experiência presente. Aproveite-o nesta sua versão de longa duração, examine pedagogicamente a caminhada até aqui e projete um horizonte para além do medo. Afinal, como poetizou Renato Russo, “sempre em frente, não temos tempo a perder”.
*O autor é doutor em Comunicação, pós-doutor em Mídia e Cotidiano, jornalista, professor na Ufes, membro da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória
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